Governador da Flórida boicota Petrobras por relação com Irã

'Continuaremos no caminho de não fazer negócios com companhias que apóiam o terrorismo', afirma Charlie Crist

Agência Estado e Efe,

09 de novembro de 2007 | 12h21

O governador do Estado americano da Flórida, Charlie Crist, que lidera uma missão comercial de seu país no Brasil, cancelou nesta sexta-feira, 9, uma reunião de negócios com diretores da Petrobras, alegando que a estatal mantém relações com o governo do Irã. "Continuaremos seguindo o caminho moral e prudente de não fazer negócios com companhias que apóiam o terrorismo e assim estabelecer um exemplo para os demais Estados e nações", disse Crist, segundo um comunicado no site do governo da Flórida. Para Crist, o apoio ao Irã "é uma ameaça aos Estados Unidos e a seus aliados, como Israel". Ele defendeu a lei promulgada em meados do ano no seu Estado, que proíbe os fundos de previdência de investir em companhias que façam negócios com Irã e Sudão. O assessor do governador, George LeMieux, foi ao Rio de Janeiro para se reunir com Samir Passos Awad, gerente-executivo da estatal para a área internacional. Ele explicou que a participação do Irã da companhia é só de "prospecção", mas alertou que será difícil uma "desvinculação" no próximo ano, como exige a legislação da Flórida. Petrobras e Flórida são partes vitais para fortalecer o acordo bilateral entre Brasil e Estados Unidos, que procura promover a produção e comercialização de etanol no mundo. Na segunda-feira, em sua primeira atividade no Brasil, Crist disse, na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que ele e seu estado defendem uma redução das taxas de importação de etanol. O governador quer que a Flórida seja a porta de entrada do álcool brasileiro nos Estados Unidos. O consumo de gasolina na Flórida, com 32,7 bilhões de litros por ano, superior ao de todo o Brasil, faz do estado um mercado "potencial" para o etanol brasileiro, como combustível alternativo, segundo a União dos Produtores de Açúcar e Álcool.  Ação política O consultor sucroalcooleiro Luiz Carlos Corrêa Carvalho considerou "um problema geopolítico e não econômico" a decisão do governador da de cancelar a reunião. "Não vejo correlação com a decisão e um possível impacto nas decisões em relação ao etanol brasileiro. Mas é muito preocupante quando os Estados Unidos tomam essa uma atitude como essa pelo que pode acontecer no futuro", disse. "Exemplo disso foi o que aconteceu no Iraque", completou Carvalho, que é vice-presidente da Associação Brasileira de Agribusiness (Abag) e membro do Conselho Superior do Agronegócio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). A União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), entidade que representa o setor produtivo de álcool e açúcar, foi procurada, mas ainda não se manifestou sobre o assunto.

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