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Governadora propõe que Eletrobrás faça manutenção de linha da Venezuela

Suely Campos, governadora de Roraima, sugeriu que a estatal faça serviço na linha de transmissão para evitar interrupções no fornecimento de energia elétrica

Lu Aiko Otta, O Estado de S.Paulo

11 Setembro 2018 | 20h09

BRASÍLIA - A governadora de Roraima, Suely Campos, sugeriu ao ministro de Minas e Energia, Moreira Franco, que a Eletrobrás faça a manutenção da linha de transmissão de energia desde a usina de Guri, na Venezuela, até seu Estado. A falta desse trabalho tem provocado interrupções no fornecimento, e foi classificada pela governadora como o principal problema no momento.

Para que a ideia seja colocada em prática, porém, é preciso a concordância do governo da Venezuela. E o relacionamento diplomático entre os dois países está num mau momento, sem embaixadores de ambos os lados. No entanto, informam fontes do governo, alguma cooperação tem sido possível no tratamento aos migrantes.

A sugestão da oferta do serviço de manutenção foi apresentada numa reunião na qual ela pediu informações sobre as tratativas para o pagamento da dívida da Eletrobrás com a companhia elétrica venezuelana. Segundo informações da área técnica do governo, a dívida é de cerca de US$ 30 milhões e não pode ser quitada por problemas operacionais. Por causa da falta de pagamento, circulou a informação que a energia para Roraima poderia ser cortada. Mas essa ameaça foi descartada pela governadora.

“Não existe nenhuma possibilidade de interrupção no fornecimento de energia”, afirmou ela. “Surgiu alguma notícia que isso poderia acontecer, mas o Ministério de Minas e Energia não foi comunicado de nada.”

Segundo Suely, o problema que impede o pagamento é o bloqueio dos Estados Unidos à Venezuela, que afetou as instituições financeiras e impede a remessa de recursos. Segundo fontes do governo, há outros complicadores. A companhia de energia venezuelana quer receber o pagamento em dólares para comprar equipamentos e peças e fazer a manutenção de suas estruturas. Mas, se o dinheiro transitar pelo sistema financeiro, será convertido em bolívares pelo Banco Central da Venezuela, a um câmbio distorcido. A hipótese de usar a dívida do Brasil para quitar parte da dívida comercial venezuelana com empresas daqui, que chegou a ser ventilada, não encontrou respaldo do outro lado da fronteira.

A área técnica ainda busca uma saída para o imbróglio, segundo foi informado à governadora. “Eles tentaram por uma coordenada, não deu, estão tentando outra forma”, contou. Para ela, essa é uma questão “burocrática” que vem sendo tratada.

A solução definitiva para o fornecimento de energia em Roraima é a construção da linha de Tucuruí, uma obra que se encontra parada no momento por dificuldades no licenciamento ambiental. Depois do agravamento da crise migratória em Roraima, o governo federal deu prioridade ao tema.

Ela vai ligar o Estado ao sistema elétrico nacional, o que dará maior estabilidade ao fornecimento. Segundo Suely, Roraima é o segundo Estado que mais cresce no País, mas precisa de energia confiável para que haja investimentos.

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