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Governadores defendem renegociação da dívida dos estados com período de carência

Pedro Taques (PSDB) e Raimundo Colombo (PSD) defendem carência de pelo menos dois anos; nesta quarta-feira, secretários da Fazenda estaduais estão reunidos com a equipe econômica de Michel Temer

Tânia Monteiro e Gabriela Lara, O Estado de S.Paulo

01 Junho 2016 | 15h06

O governador de Mato Grosso, Pedro Taques (PSDB), pediu ao presidente em exercício Michel Temer ajuda para a renegociação da dívida do estado, que hoje, no seu caso, é da ordem de R$ 6 bilhões. "O estado de Mato Grosso fez seu ajuste fiscal. Agora a União precisa fazer o ajuste fiscal dela e não pode funcionar mais como um agiota na dívida com os estados. Precisamos de uma renegociação da divida, com carência de um ou dois anos", declarou Pedro Taques, após se reunir com Temer, no Planalto, ao lado da bancada do estado no Congresso, que apoia o governo peemedebista. Segundo Taques, Temer se mostrou "preocupado" com a questão do endividamento dos estados e prometeu uma reunião com os governadores para a semana que vem,  "para tentar equacionar esta questão", possivelmente na quinta-feira.

Os secretários estaduais de Fazenda dos estados estão reunidos nesta quarta-feira, em Brasília, com a Secretaria do Tesouro e o ministro da Fazenda justamente discutindo a questão da dívida. "A União não vai resolver os problemas de desemprego e do seu déficit sem que os estados estejam juntos e, pra isso, estados precisam desta renegociação", insistiu Pedro Taques. "Precisamos de uma carência de um ou dois anos para os estados terem um espaço orçamentário para fazer investimentos em infraestrutura porque isso cria empregos. Nós não diminuiremos o número de 12 milhões de desempregados sem ajuda dos estados e nós, governadores, já não aguentamos mais pagar dívidas e continuarmos como síndicos de uma massa que, muitas vezes, está falida".

O governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo (PSD), disse que está confiante no avanço da renegociação das dívidas dos Estados com a União, já que os secretários da Fazenda estaduais estão com um discurso "mais afinado" e, da parte do governo federal, há "boa vontade". Colombo também defendeu a carência no pagamento das dívidas por um determinado período, que poderia ser de um ou dois anos, e ainda um desconto no saldo devedor, de cerca de 60%, para amenizar o impacto econômico das parcelas mensais. 

Pedro Taques defendeu junto a Temer um tratamento diferenciado a Mato Grosso, argumentando que "fez o dever de casa", ao contrário de outros estados, referindo-se, por exemplo, ao Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, que têm um histórico de endividamento. "Nós tivemos um superávit na nossa balança comercial de quase US$ 13 bilhões. Mas, para que isso possa cada vez mais crescer, nós precisamos ajuda da União em infraestrutura para resolver obras inacabadas da Copa do Mundo, como o VLT", disse ele, reiterando que "o problema principal é o super endividamento dos estados em relação à União e que não é possível que os estados continuem sendo um departamento da União".

Se a renegociação de fato avançar conforme a intenção dos Estados, com a interrupção temporária do pagamento da dívida, os governadores ganhariam fôlego no curto prazo. No caso de Santa Catarina, haveria uma economia de cerca de R$ 92 milhões por mês com o não pagamento da parcela mensal durante o período de carência. 

"Eu tenho a impressão de que nós vamos conseguir e isso vai dar um refresco grande nas contas públicas dos Estados e dos municípios", disse na capital gaúcha, onde participa de evento na sede da Federação das Associações Comerciais e de Serviços do Rio Grande do Sul (Federasul). "Teremos uma grande vitória."

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