Governadores querem frear reforma tributária por conta da crise

Os governadores dos quatro Estados do Sudeste pediram nesta quinta-feira cautela em relação ao projeto de reforma tributária que tramita na Câmara e defenderam o uso dos bancos oficiais para garantir o crédito. Reunidos na capital mineira, os tucanos José Serra (SP) e Aécio Neves (MG) e os peemedebistas Sérgio Cabral (RJ) e Paulo Hartung (ES) avaliaram os possíveis efeitos da crise financeira global na economia brasileira e afirmaram que suas bancadas no Congresso apoiarão todos os projetos que tenham o objetivo de garantir crédito e liquidez no mercado. Os governadores ressaltaram, porém, que é preciso cuidado com qualquer projeto que signifique mudança na receita e, principalmente, na despesa da União e dos Estados, com destaque para a reforma tributária. "O que nós combinamos é que os nossos secretários vão fazer uma análise minuciosa de todos os projetos. É inegável que, diante de uma conjuntura de crise, é muito importante tomar cuidado com todos os projetos de lei ou de emenda constitucional que mexam com despesas e receitas. Nós não vamos andar o que não está caminhando", afirmou Serra após o encontro. O governador paulista referia-se ao parecer apresentado na quarta-feira pelo deputado Sandro Mabel (PR-GO), relator do projeto de reforma tributária, e que parte do PSDB promete obstruir. "Creio que a atual conjuntura não favorece iniciar um projeto de reforma tributária, sem antes avaliar muito bem a nova conjuntura e seus impactos sobre a receita. Basta dizer que o sistema financeiro está com problemas e ele é a principal fonte de tributação do governo federal", acrescentou Serra. Aécio Neves ressaltou que, além da reforma tributária, os governadores também discutiram outros propostas em tramitação no Congresso que podem ter impacto nas despesas dos Estados. "Manteremos um contato mais estreito com as lideranças no Congresso Nacional, pedindo uma cautela muito grande na aprovação de matérias que tragam novas despesas", reforçou. "É um apelo dos quatro governadores ao Congresso Nacional para que matérias que gerem nova despesa, despesa corrente, não tramitem nesse momento de crise", acrescentou Paulo Hartung. CRÉDITO Para Serra, a liberação dos depósitos compulsórios pelo Banco Central foi uma decisão acertada, mas não suficiente para garantir o crédito. "Eu, se tivesse que opinar, diria: usa diretamente o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal porque, muitas vezes, a ampliação do compulsório com a taxa de juros sideral que o Brasil tem, o pessoal pega o que fica liberado e vai comprar título em vez de se dispor a correr risco junto à área privada", disse o governador, para quem "tem gente querendo comprar e a indústria querendo vender e o crédito não chega." Um dos setores que poderia ser beneficiado com esse tipo de medida, segundo os governadores, é o automotivo. "O presidente chegou a me dizer, claramente, da disposição do Banco do Brasil em participar diretamente do financiamento de automóveis", disse Aécio. "Acho que essa é uma medida que deve ter o nosso apoio já que o que estava sustentando (as vendas) era o crédito que as montadoras ofereciam e não está sendo mais suficiente." O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, deixou a reunião antes do fim pois tinha outros compromissos. (Reportagem de Marcelo Portela)

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