Dida Sampaio/Estadão
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Governadores têm que calçar ‘sandália da humildade’ na reforma da Previdência, diz Ramos

O presidente da Comissão Especial da reforma evitou dar uma previsão de cronograma de votação; parlamentares querem excluir Estados e municípios da proposta

Idiana Tomazelli, O Estado de S.Paulo

06 de junho de 2019 | 12h58

BRASÍLIA - O presidente da Comissão Especial da reforma da Previdência, deputado Marcelo Ramos (PL-AM), disse nesta quinta-feira, 6, que os governadores precisam "calçar sandália da humildade" para pedir para que os parlamentares mantenham Estados e municípios na proposta.

Ramos também rebateu críticas do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), que classificou de "eleitoral" a atitude dos congressistas que querem excluir os governos regionais da proposta. "Ele (Doria) quando era prefeito encaminhou uma reforma da Previdência, o povo pressionou e ele retirou. Isso, sim, é eleitoreiro. Ele retirou porque era candidato a governador", disparou.

O presidente da comissão concedeu entrevista coletiva para fazer um balanço das audiências realizadas pelo colegiado. Ele evitou dizer se apoia ou não a permanência de Estados e municípios no texto e disse que prefere aguardar o parecer do relator, deputado Samuel Moreira (PSDB-SP). Mas avisou que os governadores precisam baixar a guarda.

"Os governadores têm que fazer sabe o quê? Calçar a sandália da humildade. Calçar a sandalinha da humildade e vir para cá e dizer 'olha, nós não temos coragem de fazer (a reforma), queremos pedir aos deputados que façam por nós'. É isso que eles têm que dizer, humildezinhos. Eles não têm que chegar aqui dando ordem", disse Ramos.

Governadores pediram nesta quarta, 5, ao relator que aguarde até a próxima terça-feira, 11, para dar uma posição final sobre o tema.  O presidente da comissão afirmou que cabe apenas ao relator decidir se aguarda ou não esse posicionamento. Mas ele aproveitou a deixa para fazer um "desagravo" aos deputados.

Prazos 

Marcelo Ramos evitou dar uma previsão de cronograma de votação da proposta no colegiado ou no plenário da Câmara dos Deputados. Segundo ele, isso vai depender do nível de acordo entre os líderes na Casa.Ele alertou, porém, que o calendário, até aqui cumprido conforme o previsto, agora tem "um tempo político" que independe dele. 

O presidente da comissão afirmou ainda que o governo precisa trabalhar para reunir os 308 votos necessários à aprovação na Câmara. "Não adianta ter relatório pronto na comissão sem ter apoio para votar no plenário", afirmou.

Em termos de acordo de procedimentos, ele disse acreditar na possibilidade de assegurar à oposição a possibilidade de todos discutirem a proposta, desde que haja redução considerável na obstrução. Ramos também defende que as votações de destaques ao texto (quando os deputados apreciam separadamente um trecho do texto, ou uma emenda não acatada pelo relator) sejam todas nominais, mas isso ainda dependerá de acerto com os parlamentares.

O deputado disse esperar um ambiente mais acirrado na votação do que nas audiências, mas nada que prejudique o andamento das discussões e da votação. Na reforma de Temer, houve até invasão da comissão especial, obrigando a polícia legislativa a reagir com gás de pimenta.

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