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Governistas querem unificar discurso sobre o pré-sal

Mais de uma semana depois de o PSDB criar uma comissão interna para estudar alternativas de exploração do petróleo na camada pré-sal, o bloco governista no Senado resolveu hoje entrar no debate, formando também um grupo para discutir o assunto. Essa decisão atende à recomendação feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos líderes e presidentes de partido, na última reunião do Conselho Político, e tem um objetivo: unificar o discurso dos aliados no Congresso para eventuais mudanças no marco regulatório.Pela expectativa da líder do bloco e do PT, senadora Ideli Salvatti (SC), Lula deve enviar a proposta apenas em novembro. O presidente vai evitar que o debate no Congresso seja contaminado pela disputa municipal. Por outro lado, não deseja que seja travado próximo ao processo eleitoral de 2010.Na primeira reunião hoje do bloco governista para abrir a discussão, foram convidados o secretário de Petróleo e Gás do Ministério de Minas e Energia, José Lima Neto, e o gerente da Petrobras em Brasília, Carlos Figueiredo. Ambos deixaram claro que, independentemente do modelo a ser adotado para o pré-sal, a Petrobras precisa ser fortalecida e capitalizada. "Grava... grava isso", brincou Mercadante, diante da convergência entre a Petrobras e o ministério.Eles deram esclarecimentos sobre as alternativas que estão sendo estudadas pela comissão interministerial sobre a exploração do pré-sal, deixando claro que não há ainda definição do modelo. "Está em discussão um patrimônio avaliado em até R$ 7 trilhões (a riqueza do pré-sal) e da melhor maneira de o Brasil apropriar o máximo possível disso. Atualmente a Petrobras tem capital de R$ 200 bilhões", explicou a senadora do PT. "E como a Petrobras vai fazer para participar da exploração estimada em R$ 600 bilhões?", indagou.DivergênciasSegundo a petista, os senadores mostraram interesse pelo assunto. O momento mais quente da reunião foi protagonizado pelos senadores Aloizio Mercadante (PT-SP) e Francisco Dornelles (PP-RJ), que divergiram sobre o modelo. Enquanto o petista defendeu o sistema de partilha, Dornelles sustentou a manutenção do modelo de concessão para a exploração do pré-sal. Em relação à idéia de criar uma nova estatal para gerir a exploração, não houve consenso dentro do bloco. Mercadante sugeriu, inclusive, que seja instituído um departamento dentro do próprio Ministério de Minas e Energia para administrar as reservas. Idéia semelhante defendida recentemente pelo deputado Antonio Palocci (PT-SP), que propôs que seja vinculado ao Tesouro Nacional.Outra idéia surgida na reunião do bloco governista seria, em vez de criar uma estatal, modificar o arcabouço legal da Agência Nacional de Petróleo (ANP), que poderia gerenciar a exploração. O líder do PSB, senador Renato Casagrande (ES), defendeu o regime de concessão, por entender que mudar o marco regulatório é preocupante e pode levar muito tempo para ser aprovado no Congresso.

CIDA FONTES, Agencia Estado

27 de agosto de 2008 | 18h44

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