Governo abre cofres para garantir que obras de ferrovias não paralisem

A crise financeira vai obrigar o governo a abrir os cofres para garantir que os projetos em ferrovias não sejam interrompidos. Trechos das ferrovias Norte-Sul e Oeste-Leste, que seriam entregues para a iniciativa privada construir em parceria com o governo no início do ano, tiveram licitação suspensa. As obras, porém, vão continuar a ser feitas com dinheiro público, pelo menos até que a crise se amenize.Quando o quadro econômico estiver mais claro, as ferrovias serão licitadas. Um técnico da área de transportes avaliou que, quando o leilão ocorrer, as obras já estarão em estágio avançado. Isso deverá aumentar a atratividade do negócio. Ele acrescentou que essa estratégia não exigirá do governo mais dinheiro do que já se pretendia investir. A diferença é que a parte executada com recursos públicos será adiantada.O trem-bala entre São Paulo e Rio, originalmente um projeto privado, também contará com alguma ajuda federal. A promessa do governo é divulgar o edital do leilão no fim deste semestre e realizar o leilão até o fim de 2009.Dados do Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi) mostram que, no ano passado, as obras em ferrovias do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) não tiveram desempenho exemplar. A Norte-Sul tinha R$ 1,018 bilhão disponível, dos quais foram empenhados (comprometidos) R$ 807,9 milhões. A linha Oeste-Leste, que vai cortar a Bahia do interior até Ilhéus, tinha R$ 307 milhões, mas o volume empenhado foi zero. As ferrovias devem ser uma das prioridades do PAC este ano. No dia 12, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá ir a Pernambuco para dar início às obras do trecho da ferrovia Nova Transnordestina. O trecho da Norte-Sul que liga Anápolis (GO) a Araguaina (TO) deve ficar pronto até 2010. O governo pretende ainda iniciar a construção de outro trecho dessa ferrovia, ligando Anápolis a Estrela d''Oeste (SP) - de onde sai outra estrada de ferro, que leva ao porto de Santos (SP).

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