Hélvio Romero/ Agência Estado
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coluna

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Governo acerta com aéreas para que Estados tenham ao menos uma ligação mantida

Nem todos os Estados terão ligação entre si, mas a intenção é que cada um tenha um elo na malha em operação.

Amanda Pupo e Cristian Favaro, O Estado de S.Paulo

24 de março de 2020 | 10h09
Atualizado 24 de março de 2020 | 14h36

BRASÍLIA - O governo federal acertou com as empresas de aviação para que, mesmo diante da queda na demanda do setor em razão do novo coronavírus, todos os Estados tenham pelo menos uma ligação aérea funcionando. Agora, segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), serão analisadas as malhas das aéreas e feitos eventuais ajustes para garantir que nenhuma região fique isolada. Nem todos os Estados terão ligação entre si, mas a intenção é que cada capital tenha um elo na malha em operação. 

 

O assunto foi discutido ontem em reunião entre a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Ministério da Infraestrutura, Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e empresas que operam no mercado doméstico - Latam, Azul e Gol.

Na manhã desta terça-feira, 24, a Gol já anunciou que, entre 28 de março e 3 de maio, manterá em operação somente a malha essencial de 50 voos diários, conectando todas as capitais dos estados brasileiros a partir do aeroporto internacional de São Paulo, em Guarulhos (GRU). O tempo limite das conexões também será flexibilizado para garantir a ligação entre capitais em até 24 horas.

A companhia também informou que durante esse período estão suspensas as operações regionais e internacionais. A Gol afirmou que fará voos extras para atender eventuais demandas específicas para esses tipos de voo. 

"A LATAM Airlines Brasil está trabalhando em um ajuste da sua malha doméstica e internacional na medida em que a demanda continua a cair e existem cada vez mais restrições nas fronteiras", disse a empresa, que prometeu divulgar os ajustes nos próximos dias.

O presidente da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), Eduardo Sanovicz, afirmou em entrevista ao Estadão/Broadcast que os esforços da Anac de coordenação da malha aérea ajudarão a reduzir o forte ritmo de queima de caixa enfrentado pelas companhias.

"Estamos queimando dezenas de milhões de reais por dia. A coordenação por parte da Anac representa um recuo organizado da demanda e queda dessa queima", disse. Ele lembrou que algumas aeronaves estão decolando com até 12 passageiros frente a uma capacidade de 180 lugares.

"Cada empresa está propondo essa malha essencial. A Anac está aprovando e fazendo alguns ajustes. O princípio é garantir que todas as capitais e mais um volume de cidades essenciais tenham voos", disse.  As aéreas já conseguiram permissão para reduzir a oferta de voos sem correr risco de perder os slots após uma autorização temporária concedida pela Anac. 

Manutenção

Mesmo com a disseminação da novo coronavírus pelo Brasil e medidas de restrição sendo adotadas, o Ministério da Infraestrutura vem enfatizando a necessidade de o País não paralisar suas linhas de transporte. O governo já afirmou, por exemplo, que não fechará aeroportos. 

Diante disso e da queda na demanda enfrentada pelas empresas, o esforço é para que nenhum Estados fique isolado da malha aérea. 

O ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, lembrou que o Brasil conta com déficit na balança comercial no setor de saúde e que, por isso, é importante que os entes tenham linhas aéreas disponíveis para receber materiais como remédios, vacinas, insumos e equipamentos hospitalares. "Por isso a importância de mantermos os aeroportos em funcionamento e linhas aéreas disponíveis para os estados, mesmo com a demanda reduzida", disse através de nota divulgada pela Anac.

O diretor-presidente da Anac, Juliano Noman, ressaltou que em muitos países as companhias aéreas responderam a covid-19 suspendendo completamente as suas operações, "o que prejudica fortemente a economia e até a saúde da população". "Trabalhamos intensamente junto às empresas para possibilitar a manutenção de uma rede doméstica capaz de garantir um serviço aéreo mínimo no Brasil", afirmou. 

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