Sérgio Castro/ Estadão
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Coluna

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Governo adia lançamento de novo programa habitacional para o primeiro semestre de 2020 

Sucessor do Minha Casa Minha Vida deve transferir diretamente para os beneficiários um 'voucher' que garante um crédito em dinheiro

Idiana Tomazelli, O Estado de S. Paulo

20 de dezembro de 2019 | 13h52

BRASÍLIA - O impasse em torno dos custos de operacionalização do novo programa habitacional do governo acabou adiando seu lançamento para o primeiro semestre de 2020. O ministro do Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto, disse nesta sexta-feira, 20, que o custo que foi passado pelos agentes operadores e financeiros está “muito alto para o que o governo desejaria”.

O ideal, segundo ele, é que a operação consuma no máximo 10% do voucher que será dado às famílias para construir, reformar ou adquirir a casa própria. O tíquete médio desse crédito está avaliado em R$ 60 mil.

Como antecipou o Estadão/Broadcast em outubro, o novo programa habitacional do governo deve transferir diretamente para os beneficiários um “voucher”, vale que garante um crédito em dinheiro, num valor a ser determinado conforme a região. A ideia é beneficiar famílias com renda de até R$ 1,2 mil mensais em média que vivem em moradias precárias nos municípios com até 50 mil habitantes. A seleção será feita com base no Cadastro Único, mesma base de dados do Bolsa Família.

A medida provisória que cria o sucessor do Minha Casa, Minha Vida já está pronta, mas as negociações emperraram na remuneração do agente operador e do agente financeiro. As instituições estão precificando muito alto o custo para lidar com o modelo do voucher. Elas manifestam preocupação em relação à fiscalização da aplicação correta dos valores, uma vez que as obras serão pulverizadas, e temem ser responsabilizadas em caso de desvios.

“O que o governo não quer é que, de um voucher de R$ 60 mil, R$ 15 mil seja o custo repassado para os bancos”, disse o ministro. “Qualquer custo que supere 10% o governo torce o nariz. Nosso objetivo é que não seja utilizado mais que 10%.”

Com o impasse, o lançamento do programa, que chegou a ser previsto para dezembro deste ano, acabou ficando para 2020. “Nossa previsão é lançar no primeiro semestre do ano que vem”, afirmou Canuto.

O ministro reconheceu que ainda não há qualquer previsão de recursos no Orçamento de 2020 destinados para o novo programa. Ele salientou, porém, que recentemente o Congresso Nacional fez um esforço para realocar verbas para o Minha Casa. “Com a confirmação das taxas de crescimento maiores do País, talvez isso possa abrir um espaço no Orçamento e possa ter recurso necessário para o lançamento do novo programa”, disse. “Temos expectativa otimista, deve abrir essa brecha orçamentária.”

Segundo Canuto, o ideal é que fosse possível assegurar ao menos 50 mil unidades no primeiro ano de contratações do novo programa. Pelo voucher médio de R$ 60 mil, isso significaria um custo de R$ 3 bilhões. “Ter 50 mil unidades é uma vontade, mas depende da disponibilidade orçamentária”, afirmou.

Os R$ 2,1 bilhões assegurados no Orçamento 2020 para o Minha Casa, Minha Vida são suficientes apenas para as obras já em andamento.

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