Governo admite mudança em Jirau

Ministro aceita discutir aumento da cota de energia para os grandes consumidores no leilão da usina

Leonardo Goy, O Estadao de S.Paulo

13 de dezembro de 2007 | 00h00

O governo admite discutir o aumento da cota de energia para os consumidores livres para a futura usina hidrelétrica de Jirau, no Rio Madeira, que será leiloada em maio do ano que vem. Mas desde que não haja uma "inundação" de energia no mercado livre, ponderou o ministro interino de Minas e Energia, Nelson Hubner.O aumento dessa participação - que na outra usina do Rio Madeira, Santo Antônio, foi limitada a 30% - é reivindicado pelos grandes consumidores. Eles defendem que a cota passe para 50% em Jirau, para evitar que tenham de pagar muito mais caro pela energia.O chamado mercado livre é formado por grandes indústrias ou shoppings que optam por comprar sua energia diretamente das usinas. O mercado cativo, por sua vez - que ficou com 70% da energia de Santo Antônio - é formado pelas distribuidoras que revendem energia para as residências e para indústrias ou estabelecimentos comerciais que não integram o mercado livre."O limite de 30% em Santo Antônio foi estabelecido a partir de discussões com os grandes consumidores. Vamos fazer o mesmo em Jirau", afirmou o ministro. Jirau integra, com a usina de Santo Antonio, o complexo hidrelétrico do rio Madeira e terá potência instalada de 3.300 MW. Santo Antônio terá capacidade de 3.150 MW. Cada uma exigirá investimentos da ordem de R$ 10 bilhões.O presidente da Empresa de Pesquisa Energética(EPE), Maurício Tolmasquim, disse que não vê "nenhum problema'''' em aumentar o porcentual de energia que será destinado para o mercado livre em Jirau. Tolmasquim avaliou, entretanto, que a preocupação dos consumidores livres com o preço da energia de Santo Antonio deve atrair estas empresas para que entrem como investidoras em Jirau. "Acredito que muitas grandes empresas se arrependeram por não terem entrado como parceiros na usina de Santo Antonio. Porque o que está se mostrando agora é que era mais negócio ser sócio e ficar com parte da energia do que comprar do vencedor", disse o executivo.LICENÇASegundo Tolmasquim, o Consórcio Madeira Energia, vencedor do leilão da usina de Santo Antônio, deve apresentar em janeiro ao Ibama o pedido de liberação da licença de instalação, que autoriza o início das obras de construção da hidrelétrica.Ele lembrou que a líder do consórcio, a construtora Odebrecht, já informou que pretende antecipar de dezembro para maio de 2012 o início da produção de energia na usina, conforme o Estado noticiou ontem. Como a obrigação dos concessionários é a de vender energia apenas a partir de dezembro de 2012, tudo o que eles conseguirem produzir antes disso pode ser vendido no mercado livre."Esse deve ser um dos segredos do preço deles, pois, se conseguirem antecipar, terão um diferencial importante no fluxo de caixa", avaliou Tolmasquim, referindo-se ao fato de o consórcio ter vencido o leilão apresentando um preço de R$ 78,9 o MWh, 35% inferior ao teto fixado pelo governo, de R$ 122.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.