Marcelo Camargo/ Agência Brasil
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Governo admite que em 2020 o 'máximo' em privatizações é quebra do monopólio dos Correios

O ministro da Economia, Paulo Guedes, tinha prometido apresentar até quatro grandes privatizações no início de outubro, o que não foi cumprido

Adriana Fernandes e Jussara Soares, O Estado de S.Paulo

07 de outubro de 2020 | 16h47
Atualizado 08 de outubro de 2020 | 21h06

BRASÍLIA - Fontes da área econômica admitem que “o máximo que será possível” fazer com privatizações em 2020 é a quebra do monopólio dos Correios no serviço postal. 

O ministro da Economia, Paulo Guedes, tinha prometido apresentar até quatro grandes privatizações no início de outubro, o que não foi cumprido. A avaliação da área econômica é que as privatizações não andaram porque a política não deixou e o tema foi travado no Congresso. As fontes dizem, no entanto, que já há um acordo para a privatização de estatais. Na lista estão as privatizações da Eletrobrás e dos Correios e também a venda da PPSA, estatal que representa a União no pré-sal, cujos poços valem US$ 100 bilhões, segundo um integrante da equipe econômica. 

 Além de não vender nenhuma empresa-mãe, o governo Bolsonaro chegou a criar uma nova estatal, a NAV, responsável pela navegação aérea. O Ministério da Economia cita como realizações na área a venda de subsidiárias, como as da Petrobras, o que é tecnicamente considerado um desinvestimento, cuja decisão e todo o processo não passa pelo governo.

O  empresário Salim Mattar, que já chegou a cuidar da área de privatizações do Ministério da Economia, entrou no governo com a missão de arrecadar R$ 1 trilhão com a venda de estatais. Ele almejava desestatizar "jóias da coroa" como Petrobrás, Banco do Brasil e Eletrobrás, mas teve que se contentar com a inclusão, no Programa Nacional de Desestatização (PND), de estatais bem menores, como Nuclep, Emgea, Ceagesp, ABGF, Dataprev e Ceitec, conhecida pelo apelido "chip do boi".

Cada presidente, desde a redemocratização, concluiu uma grande privatização. Sarney vendeu produtora de celulose Aracruz; Collor, a siderúrgica Usiminas; Itamar, a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e a fabricante de aviões Embraer. FHC vendeu a mineradora Vale e privatizou o sistema de telefonia e de ferrovias.

 Lula e Dilma Rousseff não venderam estatais, mas priorizaram um programa de concessões de infraestrutura em áreas como energia, petróleo, rodovias e aeroportos. Sem definir uma prioridade na área de privatizações, o governo Bolsonaro segue o mesmo caminho dos governos petistas e avança nas concessões.

É da equipe do ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, e da secretária especial do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), Martha Seillier, o mérito pelas concessões de rodovias, aeroportos e ferrovias - estas últimas retomadas depois de 20 anos.

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