Governo admite que PIB ficou aquém do que País precisa

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiu nesta quarta-feira que o crescimento da economia brasileira no ano passado ficou acima do esperado, mas ainda está abaixo do que ele gostaria que fosse. "O fato de o PIB ter crescido 2,9% é um número maior do que os analistas previam e menor do que aquele que eu desejo e o Brasil deseja", disse.Ele observou, porém, que "só podemos falar de crescimento hoje porque a economia está arrumada, senão estaríamos (falando que) devemos US$ 15,9 bilhões ao FMI, teria dívida pública quase insustentável, não se teria reservas comerciais, superávit em conta corrente, e não se teria crédito".Mais cedo, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, já havia admitido que o crescimento de 2,9% do PIB em 2006 ficou abaixo do que o governo gostaria. "O resultado é aquém do que gostaríamos e aquém do que o país precisa", disse. O ministro também ressaltou que o resultado do PIB foi superior ao que estava sendo projetado pelos analistas - em 2,7%.Segundo ele, alguns componentes do PIB tiveram bons desempenhos. Citou como exemplo a expansão de 6,3% na taxa de formação de capital bruto. Também lembrou que o comércio teve um crescimento de 4% e o consumo das famílias em 3,8%.Bernardo ressaltou que, além do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que gera uma expectativa favorável para a economia, o resultado do último trimestre de 2006 (1,1% de expansão) "nos dá a certeza de um crescimento muito mais vigoroso em 2007".Disse que se a taxa de crescimento de 1,1% do último trimestre for anualizada isso resultará em um crescimento de aproximadamente 4,5%. Ele comentou ainda que o governo trabalha com a expectativa de que a safra agrícola este ano terá um desempenho "muito bom, diferentemente dos últimos dois anos".Dias de apoioDurante entrevista coletiva em que anunciou o resultado do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de janeiro, Marinho evitou fazer novas críticas à política de juros do Banco Central e elogiou o crescimento brasileiro no ano passado. No mês passado, quando anunciou o resultado do Caged do ano de 2006, Marinho fez duras críticas à decisão do BC de reduzir o ritmo de corte na taxa básica (Selic).Desta vez, Marinho aproveitou a oportunidade para dizer que a economia brasileira está "sólida e forte" o suficiente para que o governo possa planejar para o futuro um crescimento superior ao dos últimos anos. "Isso se conseguirmos reduzir mais os juros, se conseguirmos ajustar mais o câmbio, porque tudo isso está relacionado", afirmou.Estabilidade econômicaO deputado e ex-ministro da Fazenda, Antonio Palocci (PT-SP), comentou que o crescimento do PIB de 2,9% em 2006 mostra que o Brasil consolidou a estabilidade econômica. Segundo ele, a economia brasileira hoje "está mais consistente". Na avaliação do ex-ministro, o desafio agora é potencializar o crescimento econômico. Palocci destacou que as taxas de juros estão em processo de queda, a inflação está sob controle e as taxas de investimento no País estão aumentando.

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