Governo ainda não sabe o que fazer com a sobra de energia

O excedente de energia, que já alcança 7,5 mil megawatts (MW), vai aumentar em 2004, segundo o secretário executivo do Ministério de Minas e Energia, Maurício Tolmasquim. As projeções feitas pelo ministério indicam uma sobra de 9 mil MW no ano que vem, o que representará o pico do excedente, resultado da entrada em operação de novas usinas geradoras de pequeno e médio porte e da mudança de postura do consumidor pós-racionamento. O problema é como resolver a questão do excesso de energia sem prejudicar consumidores nem produtores."Hoje o excedente de oferta é um grande problema. No momento estamos tentando evitar que isso seja repassado às tarifas", afirmou o secretário. Uma das alternativas, segundo ele, será utilizar um fundo setorial para contratar o excedente como reserva técnica, a um preço mais baixo do que a energia do sistema. Não há, no entanto, definição sobre qual fundo poderia ser utilizado, nem sobre os recursos disponíveis.Novo modeloO secretário executivo do Ministério da Minas e Energia informou que o governo deve enviar em novembro para votação no Congresso o novo modelo para o setor energético. Ele disse que há questões importantes a resolver, como a solução para o impasse entre distribuidoras e geradoras sobre o contrato de garantias para a compra de energia e a definição do índice que irá reajustar os contratos no longo prazo.No novo modelo está sendo discutida a mudança no perfil da matriz energética, como elevação da participação do gás como fonte geradora de energia. A previsão do governo anterior, que elevava esta participação para 12% em 2010, porém, está praticamente descartada. "Com o preço do gás hoje, isso não é possível", disse. Tolmasquim destacou que a intenção do governo é elevar a utilização do potencial hidrelétrico no País, hoje de apenas 25%. "Está certo que a maior parte desse potencial está na Amazônia e há questões ambientais importantes com relação à utilização desses recursos naturais, mas há uma opinião consensual no ministério de que devemos usar melhor este potencial".

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.