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Governo alemão não poupa elogios ao Brasil

Enquanto a Europa vê com temor aproximar-se o fantasma da recessão e os Estados Unidos debatem como enfrentar uma possível deflação, o Brasil continua a receber elogios das principais e maiores economias do planeta. O vice-ministro de Finanças da Alemanha, Caio Koch-Weser, comentou hoje (segunda-feira) em Berlim que o sucesso inicial do governo do presidente Luíz Inácio Lula da Silva é impressionante, principalmente porque soube, até agora, definir as prioridades certas para o País. "Aplaudimos as propostas de reformas (Previdência e do sistema tributário) apresentadas pelo governo brasileiro ao Congresso", disse Koch-Weser, o segundo homem mais importante do Ministério de Finanças do governo alemão, ao lembrar que o Brasil foi um dos temas de discussão na reunião de ministros de Economia e Finanças do G-7, realizada neste final de semana na França. Esse encontro precedeu a reunião de cúpula marcada para o início de junho em Evian, na França, para a qual o presidente Lula foi convidado. Embora acredite que as propostas de reformas estruturais enviadas pelo governo ao Congresso venham a enfrentar dificuldades para a sua aprovação, o vice-ministro alemão, brasileiro de nascimento, disse que a iniciativa do governo Lula mostrou ao mundo a seriedade do Brasil. "Os mercados já estão reconhecendo esse gesto, razão pela qual os spreads já caíram e o financiamento está voltando", acrescentou Koch-Weser, em entrevista a jornalistas brasileiros convidados a Berlim pelo governo alemão. "Consideramos que tudo anda na direção certa." Bom exemplo para a América LatinaEle comentou ainda que o Brasil passou a ser um bom exemplo para a América Latina. Para ele, o governo do presidente Lula mostrou como podem ser feitas as reformas e, embora existam ainda grandes desafios a serem superados pelo País, como o combate à fome e à pobreza, o rumo da política econômica está sendo bem encaminhado. "O desafio agora é como combinar os desafios das questões sociais com os da estabilidade fiscal e monetária", acrescentou. "Este governo (o de Lula) tem uma chance singular de conseguir a estabilidade econômica desejada, por um lado, e o progresso social, por outro." Koch-Weser, que foi vice-presidente do Banco Mundial (Bird) e chegou a ser cogitado para ocupar a direção do Fundo Monetário Internacional (FMI), aplaudiu também a política de comércio exterior brasileira. "Ampliar mercados e aumentar exportações são a solução para o financiamento da dívida", disse. Nesse contexto, o vice-ministro comentou que a Alemanha vai apoiar a abertura dos mercados agrícolas para o Brasil e o Mercosul, não só no âmbito das negociações comerciais entre os quatro países do bloco (além do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) e a União Européia como também na Rodada de Doha, da Organização Mundial do Comércio (OMC). "Somos favoráveis à abertura dos mercados agrícolas", afirmou. O funcionário do governo alemão acredita que o Brasil continuará a atrair, cada vez mais, investimentos diretos para seus setores produtivos e que a Alemanha, embora tenha se voltado para o Leste Europeu nos últimos anos, está disposta a investir mais no País. "Embora a Alemanha esteja bem representada, com as nossas empresas instaladas no País, acredito que podemos ampliar ainda mais a nossa participação." Sem poupar palavras e em excelente português, Koch-Weser, preterido por norte-americanos e franceses para a direção do FMI, lembrou ainda que o Brasil tem um grande potencial de crescer, como ocorreu com a China, por exemplo. Ao contrário da Alemanha, acrescentou, que dificilmente cresceria a patamares de 3% ao ano, "o Brasil tem todas as chances para isso". Finalmente ele lamentou que, nos últimos 30 anos, o País tenha enfrentado situações "lamentáveis", impedindo o crescimento e estabilidade econômica desejáveis. LiderançaIndagado sobre as razões que levaram o G-7 a convidar o presidente Lula para a reunião em Evian, na França, no início de junho, o vice-ministro alemão afirmou que o Brasil é um dos grandes líderes da atualidade e a importância econômica do País é cada vez maior. "Ao final de 1999, durante a reunião de líderes do G-20 em Berlim, decidimos incorporar de forma crescente países como o Brasil, Rússia, Índia e México, entre outros, no processo de globalização. Hoje, o presidente Lula está em uma posição de liderança, não só na América Latina, mas no mundo", respondeu. Por isso, acrescentou, o Brasil precisa ter posição importante." Em 2004, a Alemanha exercerá a presidência do G-20, sucedendo o México.

Agencia Estado,

19 de maio de 2003 | 13h02

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