Governo americano pode enfrentar maior paralisação desde 1996

Desentendimento entre Câmara dos Representantes e o Senado provoca impasse político com sérios riscos para a administração federal

29 de setembro de 2013 | 14h57

WASHINGTON - A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos decidiu no início deste domingo,29, continuar no curso de colisão com o Senado, após uma votação que resultou em 231 votos favoráveis contra 192 para acabar com a legislação de reforma nacional da saúde, que a Casa Branca promete salvar.

Sem uma mudança antes do prazo final de meia-noite da segunda-feira, o governo americano deverá sofrer paralisação.

O governo já se prepara, enquanto isso, para mandar mais de um milhão de funcionários para casa na manhã da próxima terça-feira, após a arrumação das mesas e procedimentos de fechamento serem postos em prática.

O último fechamento do governo ocorreu em 1996, e durou 23 dias.

Acredita-se que a paralisação deste ano pode durar mais. Desta vez, nenhuma das 12 medidas de financiamento do governo foi aprovada, o que provocará a paralisação de todos os setores do governo, exceto as funções que possuem sua própria fonte de dinheiro.

Reforma da saúde. A Câmara dos Representantes, controlada pelos Republicanos, aprovou uma legislação que impõe um adiamento de um ano em partes importantes da lei da reforma da saúde e rejeitou um imposto sobre dispositivos médicos como um preço para evitar a paralisação parcial do governo.

Os democratas do Senado já tinham prometido rejeitar a medida e a Casa Branca emitiu um comunicado que prometia um veto em qualquer caso.

Os Republicanos estão buscando "uma agenda ideológica estreita...e procurando levar o governo na direção de uma paralisação", afirmou a Casa Branca.

O Senado não se reunirá até 3h (de Brasília) da segunda-feira, 10 horas antes da paralisação do governo começar, para estudar uma revisão das emendas aprovadas pela Câmara dos Representantes - que adiariam o prazo final para a paralisação para 15 de dezembro -, além da continuidade do pagamento ao Exército e da eliminação o imposto da lei da saúde sobre os dispositivos médicos.

A menos que a liderança do Senado altere o curso, as disposições da Câmara dos Representantes não serão aceitas.

A votação na Câmara dos Representantes viu apenas dois membros de cada partido mudando de lado sobre uma medida importante. O restante dos Republicanos solidificou o apoio à continuidade da pressão para acabar com a reforma da saúde, ao invés de alterar o foco para questão do limite do endividamento do governo.

O Tesouro informou que o Congresso não conseguirá mais evitar a superação do limite de endividamento após 17 de outubro.

 

Militares. O Senado dos EUA deverá aprovar a legislação para manter o pagamento dos salários dos militares mesmo se os parlamentares americanos não conseguirem evitar a primeira paralisação do governo desde 1996, afirmou o senador democrata Tim Kaine, segundo reportagem publicada no blog do The Wall Street Journal.

Kaine afirmou ao canal de TV Fox News, neste domingo, 29, que o Senado aprovará muito provavelmente uma lei para financiar salários dos militares no caso de uma paralisação.

A Câmara dos Representantes aprovou essa legislação na manhã deste domingo. Um consultor para o líder da maioria do Senado, Harry Reid, confirmou que ele pretende tentar aprovar a proposta da Câmara sobre os salários dos militares na segunda-feira.

A Câmara dos Representantes e o Senado estão em desacordo sobre como financiar o governo no próximo ano fiscal antes do prazo final que expira à meia-noite da segunda-feira.

Os republicanos estão buscando um adiamento de um ano para a lei da reforma do sistema de saúde, conhecida como ‘Obamacare’, e a revogação de um imposto sobre dispositivos médicos.

Os democratas do Senado disseram que vão rejeitar as alterações na lei da saúde, e que o presidente Barack Obama vetará uma legislação como essa. Com informações da Dow Jones Newswires e Associated Press.

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