Governo anterior tem culpa por crise do gás, acusa Dilma

A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, acusou o governo anterior de não ter dado ao País alternativas energéticas ao gás boliviano. Em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, a ex-ministra das Minas e Energia disse que o governo Lula recebeu o setor do gás totalmente desestruturado, com termoelétricas construídas sem os respectivos gasodutos associados. Segundo ela, também se esqueceram de que o Brasil tinha reservas de gás que poderiam ser exploradas. "Certamente, ter só uma fonte de suprimento não é consistente com uma política de segurança energética", atacou. Ela ponderou que a Petrobras tem investido pesadamente para possibilitar a exploração de três bacias existentes no Brasil (Espírito Santo, Campos e Santos), que possibilitarão uma produção de 24,2 milhões de metros cúbicos de gás até 2008. "Isso significa uma Bolívia que está entrando em até dois anos", salientou a ministra. Dilma lembrou que, com essas novas fontes, o Brasil ficará em uma posição menos fragilizada para discutir o preço do gás boliviano. "Nós vamos chegar a uma situação em que vamos ter muito mais margem de manobra para negociar", frisou. "O que não significa que a gente vai substituir o gás boliviano, mas que a gente vai complementá-lo." Turbulência externa Ao comentar a crise de liquidez no mercado externo, provocada pela fuga de investidores dos mercados de risco, Dilma Rousseff argumentou que hoje o Brasil também estaria em uma posição muito mais cômoda para enfrentar as turbulências externas. "Se tem uma área em que nós fomos extremamente bem-sucedidos foi a nossa capacidade do chamado ajuste externo", afirmou a ministra da Casa Civil. Ela observou que o País pagou o FMI, o Clube de Paris, conseguiu reduzir a dívida indexada ao câmbio e ainda mantém reservas de US$ 63 bilhões. "A situação do Brasil hoje diante de qualquer variação, qualquer surto especulativo no mercado internacional é muito mais robusta", opinou. Sobre a mudança do rigor da política fiscal com aumento de gastos a partir do final do ano passado, a ministra afirmou que o calendário eleitoral obriga uma concentração de gastos nos primeiros meses do ano. Além disso, ela acredita que a situação do País melhorou em relação a 2005, o que justificaria certo afrouxamento. "Nós estamos fazendo um superávit primário menor porque as condições macroeconômicas circundantes são melhores. O nosso juro está decrescente, a nossa inflação está sob controle, o nosso setor externo está em expansão e nós estamos mudando o perfil da dívida do País", justificou. "Eu acredito que nos próximos anos a nossa política vai estar muito mais focada na questão do desenvolvimento do que na questão da estabilidade", salientou. "Mas a gente sempre vai olhar a estabilidade com os dois olhos."

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