Elias Oliveira/Estadão
Elias Oliveira/Estadão

Governo aposta em estrangeiros e em construtoras médias nas concessões

Programa de concessões de estradas, ferrovias, portos e aeroportos será anunciado hoje, com expectativa de que grupos estrangeiros e construtoras pequenas e médias liderem os leilões, no lugar das grandes empreiteiras, afetadas pela Operação Lava Jato

Lu Aiko Otta, André Borges, Adriana Fernandes, O Estado de S. Paulo

09 de junho de 2015 | 03h00

O pacote de R$ 190 bilhões em novas concessões em infraestrutura, que será lançado hoje pelo governo, vai concentrar boa parte de suas apostas na entrada de investidores estrangeiros no País e em pequenas e médias empresas da construção civil. O perfil dos potenciais investidores está relacionado aos reflexos da Operação Lava Jato, que enfraqueceu ou inviabilizou a participação de grandes construtoras nacionais na nova rodada de negócios.

Nos últimos meses, integrantes da equipe econômica mantiveram contatos com investidores. A percepção é de que há grande demanda dos estrangeiros para os projetos, principalmente portos e aeroportos. Já o interesse das pequenas e médias construtoras brasileiras está concentrado nas rodovias.

Tecnicamente, porém, não há impedimento para que as grandes empreiteiras investigadas na Lava Jato participem do leilão. “Sendo punidas é que elas ficariam impedidas”, disse ontem o ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Valdir Simão.

A nova rodada de concessões prevê a oferta de quatro aeroportos (Florianópolis, Porto Alegre, Fortaleza e Salvador), além de 29 terminais portuários, sendo 9 em Santos (SP) e 20 no Pará.

O pacote de concessões é a grande aposta do governo para tentar reaquecer a economia, mas é aguardado com reservas pelo empresariado. “Estão discutindo quais projetos, quando o importante é dizer como”, disse o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), José Carlos Martins. “O principal é saber qual é o modelo e como será o financiamento, a garantia, de onde vem o dinheiro.” 

“Vamos lá (na solenidade do Planalto) ver o que vem, para tourear”, disse outro executivo envolvido no programa.

O governo deu sinais de que há disposição em melhorar o retorno dos projetos e mudar as regras dos leilões. Na primeira rodada de concessões rodoviárias do governo Dilma Rousseff, por exemplo, os concessionários tinham prazo de cinco anos para duplicar todo o trecho. Agora, isso pode ser revisto.

A participação do BNDES nos financiamentos deve cair, mas técnicos do governo dizem que esse movimento será compensado por empréstimos de mercado, principalmente vindos do exterior. Há uma avaliação no mercado, segundo os técnicos, de que o Brasil está “barato” para investir.

Para o economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito, como a taxa de juros brasileira é uma das mais altas do mundo, há expectativa de que a rentabilidade dos projetos também seja alta. “Quem quiser comprar algum ativo é agora, não pode deixar para depois.” / COLABOROU TALITA FERNANDES


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