Governo aposta no efeito positivo de ajustes internos

BASTIDOR: Adriana Fernandes

O Estado de S.Paulo

26 Fevereiro 2015 | 02h03

A perda do grau de investimento pela Petrobrás precipitou no mercado financeiro a discussão sobre um eventual socorro do governo federal. Mas a avaliação que ainda prevalece no governo é de que a empresa tem como fazer ajustes internos - como desinvestimentos e venda de ativos - que podem ter efeitos positivos em 2015. Essas medidas poderiam afastar a situação extrema de uma eventual operação de salvamento pelo governo federal.

Nessa avaliação interna, a estatal não tem problemas de caixa no curto prazo e alternativas de financiamento no mercado doméstico são vistas como viáveis, apesar do rebaixamento da nota da estatal pela agência Moody's.

Há uma expectativa de que, depois da divulgação do balanço auditado, o ruído maior seja dissipado, restando o efeito colateral do rebaixamento, que é o custo mais alto de captação. A própria agência apontou em seu comunicado oficial de rebaixamento da nota que, caso a empresa consiga resolver seus problemas de liquidez no curto prazo, os ratings podem ser elevados. O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, tem indicado que o mercado financeiro brasileiro é bastante líquido e com condições de oferecer financiamento.

As especulações em torno de medidas de socorro à Petrobrás ganharam força no mercado depois que Levy fez uma tentativa de última hora para reverter a decisão da Moody's com a oferta de uma "carta conforto" - uma garantia por escrito de que a União socorreria a estatal caso fosse necessário. O vazamento da tentativa do ministro instigou o mercado, que passou a considerar mais fortemente a hipótese de capitalização da Petrobrás pelo Tesouro. Há uma preocupação no mercado financeiro de que os credores da empresa peçam antecipação do pagamento dos débitos - hipótese prevista em cláusulas contratuais.

Uma ajuda dos bancos oficiais também vem sendo cogitada. Mas essa possibilidade enfrenta grandes restrições por causa da nova política econômica do ministro Joaquim Levy, que prevê o fim dos empréstimos do Tesouro aos bancos públicos e do seu uso em triangulações financeiras. Uma ajuda, agora, dos bancos colocaria em xeque o ajuste fiscal de Levy. Uma capitalização direta da Petrobrás teria impacto primário nas contas públicas. Ou seja, a operação de capitalização teria de ser contabilizada como despesa, o que inviabilizaria de vez o ajuste fiscal prometido.

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