Ações

Empresas de Eike disparam na bolsa após fim de recuperação judicial da OSX

Governo argentino anuncia programa de troca de títulos

Operação financeira vai envolver US$ 2,4 bilhões e visa aliviar a carga da dívida pública do país

Marina Guimarães, da Agência Estado,

21 de agosto de 2009 | 15h10

O ministro de Economia da Argentina, Amado Boudou, anunciou nesta sexta-feira, 21, a troca voluntária dos títulos da dívida ajustados pela inflação, em uma operação que vai envolver 9 bilhões de pesos (US$ 2,4 bilhões). "A troca será dos títulos corrigidos pelo CER (indexador) com vencimento em 2010, 2011 e 2012 pelo título Bonar 14, que tem muita liquidez e é muito bem aceito pelo mercado", afirmou Boudou.

 

"Com essa medida, damos um passo adicional para o regresso da Argentina aos mercados financeiros como uma forma de fortalecer o crescimento real no ano que vem, aliviando a carga da dívida pública e afastando incertezas sobre as condições argentinas de cumprir seus compromissos", ressaltou o ministro durante entrevista coletiva à imprensa, no Ministério de Economia.

 

Boudou também anunciou que o objetivo da equipe econômica é "melhorar a curva de vencimento da dívida argentina". E tentou transmitir tranquilidade ao mercado ao dizer que é um programa de manejo de passivos sem urgências. "Vamos analisando os passivos e anunciando as trocas mais convenientes", afirmou.

 

O maior volume de títulos que se encaixam na descrição são os chamados "Préstamos Garantizados" (PGs)- empréstimos garantidos -, Boden 2014, PRE 9 e PRE 12. "O swap vai envolver bônus ajustados pela inflação por títulos que renderão taxa de juros Badlar mais alguns pontos", detalhou. A taxa Badlar é usada pelos bancos para pagar os rendimentos de aplicações de 30/35 dias acima de 1 milhão de pesos (US$ 261,7 mil). Atualmente, a Badlar gira em torno de 12,5% a 13% anuais.

 

Os títulos que vão entrar na operação são corrigidos pelo indexador chamado CER. O anúncio de Boudou não foi uma surpresa, já que na terça-feira última uma fonte da equipe econômica adiantou a medida para a imprensa.

 

A dívida pública da Argentina é de aproximadamente US$ 140 bilhões, sem incluir os US$ 22 bilhões dos bônus em default que continuam nas mãos dos holdouts, os investidores que não entraram na reestruturação de 2005. Em janeiro de 2001, a Argentina declarou o default de uma dívida de US$ 120 bilhões, que foi reestruturada com um calote de 70% do valor, em 2005.

Por falta de um acordo com os credores dos títulos que não foram reestruturados, a Argentina está fora do mercado voluntário de crédito.

 

As advertências dos analistas são de que o país não terá fôlego para suportar a carga da dívida depois de 2010, se não regressar ao mercado internacional. Por isso, a equipe econômica tem a prioridade de aliviar a pressão sobre o caixa o máximo possível.

 

O Tesouro ganhou oxigênio no final do ano passado com a estatização dos fundos de pensão, que rendeu à agência de seguridade social, Anses, fundos de US$ 30 bilhões e um fluxo de caixa de US$ 3,5 bilhões anuais das contribuições dos futuros aposentados.

 

A Anses é um dos organismos estatais que compram os títulos da dívida soberana. Quase todos os bônus que vão entrar na próxima operação fazem parte do portfólio da Anses, herdado junto com os ativos dos fundos de pensão estatizados.

 

O ministro também anunciou um comitê acadêmico para acompanhar o trabalho do Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec), o qual pretende recuperar a credibilidade do organismo, abalada por suspeitas de manipulação dos índices oficiais, por parte do governo. "A primeira reunião será realizada na próxima quinta-feira, quando vamos lançar o programa de fortalecimento do Indec", destacou Boudou.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.