Governo argentino cancela negociações com produtores agrícolas

O governo argentino cancelou nasegunda-feira uma reunião com o setor agrícola após um discursoagressivo em uma manifestação dos produtores contra apresidente Cristina Fernández de Kirchner no fim de semana. Ambas as partes tinham agendado um encontro para tentarobter um acordo sobre potenciais mudanças num sistema detarifas flutuantes aplicadas às exportações, mas o governodecidiu que não havia condições para negociar. O chefe de Gabinete, Alberto Fernández, disse à Radio 10que "nestes termos é tudo muito difícil. Eu esperava outracoisa do campo, esperava outra responsabilidade dosdirigentes". "Com esse tipo de discurso agressivo, veemente, parece-meque pretendem é impedir o diálogo. Creio que, lamentavelmente,o (lado) que rompeu o diálogo foi o campo", acrescentou. Em seguida, um funcionário do governo confirmou que areunião tinha sido definitivamente "cancelada". O conflito, iniciado em março após a aplicação do novosistema de impostos, provocou dois protestos agropecuários quedesabasteceram o país de alimentos básicos e paralisaram asexportações de um dos maiores fornecedores de grãos do planeta. Durante a grande concentração rural no domingo, à qualcompareceram alguns políticos de oposição, os representantes dosetor acusaram a presidente de não defender de maneiraigualitária os interesses de todos os argentinos. Um delespediu que Cristina deixasse de mentir à população. Luciano Miguens, presidente da Sociedade Rural Argentina,lembrou que o governo havia demonizado o setor no passado efisse que era um "erro" encerrar as negociações. "Fala-se de ofensa, mas o que se disse do campo? Que éramosespeculadores, golpistas, desestabilizadores", afirmou Miguensà televisão. A imprensa argentina calculou que aproximadamente 200 milpessoas se reuniram em Rosario, coração agrícola do país, paraapoiar os produtores. Após o evento no campo, a presidente argentina tambémdiscursou em Salta, província no norte do país, mas compalavras moderadas. A briga com o campo provocou uma forte queda napopularidade de Cristina Fernández, desestimulou os mercadosfinanceiros locais e impulsionou os preços de grãos nos pregõesinternacionais.

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