Governo argentino cancela negociações com ruralistas

Notícia deve gerar mais protestos entre os agricultores, que querem mudanças nos impostos de grãos

Regina Cardeal, da Agência Estado,

26 de maio de 2008 | 12h40

O governo argentino cancelou as negociações marcadas para esta noite com os líderes ruralistas descontentes com os impostos sobre exportações de grãos, informou o ministro do Interior, Alberto Fernandez. A notícia, que deve levar a novos protestos dos agricultores, é anunciada um dia depois de o governo e grupos agrícolas terem realizado manifestações concorrentes.   Os agropecuaristas, numa manifestação muito mais numerosa na cidade de Rosário, foram particularmente críticos ao governo da presidente Cristina Kirchner e ameaçaram retomar as greves se o governo não atendesse suas demandas no encontro marcado para esta segunda-feira.   "Não se pode dialogar com uma ameaça de greve", disse o ministro do Interior, à emissora Radio 10. Posteriormente, em entrevista por telefone com o canal a cabo de notícias TodoNoticias, o ministro classificou o protesto de domingo dos agricultores como uma "agressão fenomenal". O líder ruralista Luciano Miguens, que também falou ao TodoNoticias, disse que "o governo está sempre buscando uma desculpa" para cancelar as discussões.   Miguens disse que não poderia responder pelos quatro grupos de agropecuaristas ao ser perguntado se o cancelamento do encontro de hoje provocará a volta dos bloqueios de estradas, mas classificou a suspensão do encontro como um acontecimento ruim.   Negociações   Os agricultores pedem que o governo elimine o novo imposto de exportação, que elevou drasticamente a tarifa de exportação sobre a soja, principal safra argentina. Os produtores insistem na proposta de mudar o sistema de cobrança do imposto que incide sobre as exportações, cujas alíquotas passaram a ser variáveis desde o dia 11 de março, acompanhando a evolução dos preços internacionais. Dessa forma, a alíquota da soja, por exemplo, poderia chegar a ser de 95% se o produto subir para US$ 600 a tonelada. Aos preços de hoje, a soja é taxada em 45%. A proposta dos agricultores argentinos é de que essa alíquota volte a ser fixa e em patamares mais baixos.   Na semana passada, os produtores encerraram sua segunda greve em protesto contra o imposto de exportações, iniciada em 8 de maio. Antes disso, uma greve de três semanas, em março, provocou escassez de alimentos nas cidades e forçou os exportadores de grãos a cancelarem contratos de venda alegando força maior.

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