Governo argentino e ruralistas disputam apoio popular

As cidades de Salta e Rosário, na Argentina, serão amanhã cenários de duas concentrações populares antagônicas. Na primeira, a presidente Cristina Kirchner realizará as celebrações do dia 25 de maio, data em que é lembrado o início do processo de independência do país. Mas, além da celebração em si, Cristina aproveitará a ocasião para reunir milhares de simpatizantes como prova de respaldo popular à política econômica que vem aplicando. Já em Rosário, as quatro maiores associações agropecuárias do país - Sociedade Rural, Federação Agrária, Confederações Rurais Argentinas (CRA) e Confederação Intercooperativa Agropecuária (Coninagro) - pretendem realizar uma marcha contra essa mesma política. E para isso contarão com o apoio de lideranças da oposição. Tanto a presidente como os ruralistas competem para ver quem consegue promover a maior manifestação. Os organizadores do comício de Cristina calculam que entre 60 mil e 100 mil pessoas estarão lá para manifestar apoio ao governo. Os ruralistas, por outro lado, esperam contar com a participação de no mínimo 70 mil pessoas e acreditam que esse número pode chegar a até 150 mil.O que desatou a crise entre os ruralistas e a presidente foi o aumento das chamadas "retenções" - impostos cobrados sobre exportações de produtos agrícolas - no início de março. Além da revogação desse aumento, os ruralistas exigem o fim dos impostos "móveis", que variam de acordo com a cotação internacional dos produtos agrícolas, e a suspensão das restrições impostas às exportações de trigo e carne.Como medida de protesto, os ruralistas realizaram um locaute de 21 dias, em março, que chegou a causar desabastecimento nas cidades. A trégua veio ante a perspectiva de negociação com o governo. Mas, frustrados com a falta de diálogo, os produtores retomaram o protesto, suspenso na quarta-feira, para uma nova rodada de debates que ainda não deu resultado.Para alguns analistas, o tamanho dos comícios de Salta e Rosario (e a conseqüente demonstração de poder de cada uma delas) determinará o andamento das negociações nos próximos dias.

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