Governo argentino fecha acordo com províncias

O governo argentino concluiu hoje as negociações para que as Províncias de Santa Fé e de Buenos Aires (duas das maiores do país) assinem o acordo de redução do déficit fiscal em 60% na segunda-feira, com o objetivo decumprir as determinações do Fundo Monetário Internacional(FMI). Com isso, e com o anúncio do decreto de saída do corralitofinanceiro que o ministro da Economia, Roberto Lavagna, devefazer amanhã, o presidente Eduardo Duhalde considera quasetotalmente cumpridas as exigências do FMI para negociar um novoacordo até o fim deste mês, que deverá permitir o reinício dasremessas de dinheiro pendentes, no valor de US$ 9 bilhões. Fontes do Ministério do Interior informaram à Agência Estado,hoje, que já foram concluídos os acordos com os governadores deSanta Fé, Carlos Reutemann, e de Buenos Aires, Felipe Solá,ambos do Partido Justicialista, o mesmo do presidente. A cerimônia de assinatura dos acordos está prevista parasegunda-feira, e, com a assinatura das Províncias de Tucumánhoje e de La Rioja anteontem à noite, o governo garante que 70%do déficit provincial já estará fazendo parte do compromisso deredução de 60%. A Província de Buenos Aires concluiu um acordo especial,estabelecendo que a redução de seu déficit (que representa 50%do déficit de todas as províncias) será de apenas 50%, e ocompromisso de redução dos gastos deste ano, no valor de l,225bilhão de pesos, dependerá da arrecadação. Hoje, o governo prosseguia nas negociações para que asprovíncias menores, como Terra do Fogo e Jujuy, também assinemseus acordos na segunda-feira. Dessa maneira, no primeiro dia dapróxima semana estariam concluídos os acordos com todas asprovíncias governadas pelo Partido Justicialista no país: BuenosAires, Santa Fé, Jujuy, Terra do Fogo, e as que já assinaram:Salta, Santiago del Estero, La Pampa, Córdoba, Misiones e acidade de Buenos Aires. Mostrando-se mais descontraído hoje do que nos dias anteriores quando ameaçou renunciar se o Congresso não aprovasse arevogação da Lei de Subversão Econômica (aprovada pelo Senado naquinta-feira), Duhalde afirmou, ontem, que permanecerá nogoverno até 2003, quando estão previstas as próximas eleiçõespresidenciais. Entretanto, as pressões para que as eleições sejam antecipadascontinuam. Ontem, o governador de Córdoba, José Manuel de laSota, afirmou que o lógico seria a convocação de eleições após aassinatura do acordo com o FMI. De qualquer modo, as províncias governadas pela Aliança(oposição) ainda não assinaram pactos semelhantes, pois asnegociações foram deixadas para depois da conclusão dos acordoscom os governadores justicialistas. As únicas províncias aliancistas que já assinaram são RioNegro e Chubut, e as que ainda terão de negociar com o governofederal são Mendoza, Corrientes, Chaco, San Juan, Entre Ríos eCatamarca, além de Neuquén, cujo governo pertence ao partidoprovincial Movimento Popular Neuquino. No contexto do que considera um grande avanço em relação àsexigências do FMI, o ministro Lavagna iniciou ontem as gestõescom o organismo internacional para que envie uma nova missãotécnica a Buenos Aires ainda na próxima semana. O objetivo é oinício da negociação de um acordo de remessa de recursos, que ogoverno espera assinar antes do fim deste mês.Leia o especial

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