Governo argentino manipulou PIB, diz estudo

O governo da presidente Cristina Kirchner tornou-se mundialmente famoso pela maquiagem do índice de inflação por meio do Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec). Graças à manipulação, feita em grande escala desde dezembro de 2006, a inflação oficial exibe baixos índices, quase sempre de um terço à metade da alta calculada pelas consultorias não alinhadas com o governo.

ARIEL PALACIOS, CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

27 de setembro de 2013 | 02h12

No entanto, a inflação não seria o único alvo da maquiagem, já que o governo - segundo estudo elaborado pela Universidade de Buenos Aires (UBA) e pela Universidade Harvard - também estaria alterando os índices do Produto Interno Bruto (PIB) desde 2008.

O economista Ariel Coremberg, coordenador do relatório, que trabalhou no cálculo oficial do PIB até a intervenção do Indec, diz que os acadêmicos reproduziram os cálculos do PIB desde 1993 até 2012 com as mesmas fontes e métodos. "No entanto, nosso gráfico e o do governo começam a se diferenciar em 2008", diz o economista.

Segundo ele, com a medição tradicional, o PIB teria na realidade crescido 15,9% entre 2007 e 2012, o que equivale a uma média de 3% por ano. Mas, de acordo com os dados oficiais, entre 2007 e 2012 o crescimento acumulado foi o dobro, de 30%, o equivalente a 5,3% por ano, em média. A presidente Cristina costuma afirmar em seus discursos que a Argentina cresceu com "taxas chinesas".

Enquanto o governo diz que em 2012 o PIB cresceu 2,2%, o estudo da UBA e de Harvard indica que na realidade houve uma queda de 0,4%.

Os economistas alertavam para a manipulação dos índices do PIB desde 2009, quando a maioria das consultorias indicou que o país havia entrado em recessão e o PIB teria marca negativa de 4%. No entanto, o governo negou a crise na época, dizendo que havia crescimento de 1%.

Segundo Coremberg, a maquiagem do PIB também obriga o governo a pagar mais aos credores internacionais por causa de títulos atrelados ao índice. Os economistas independentes calculam que o PIB de 2013 crescerá 3%. Mas, caso a alta seja de 5,1%, como prevê o governo, a Argentina terá de pagar mais US$ 4 bilhões aos credores.

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