Governo argentino prepara mudanças no ?corralito?

O governo anunciará, no próximo sábado, mais mudanças no "corralito" para tentar acalmar a população que já deu sinais de resistência ao congelamento de depósitos. A principal medida em estudo diz respeito à criação de um bônus em pesos para ser entregue os argentinos que possuem dinheiro em aplicação de prazo fixo ou depositados em conta corrente ou poupança. A equipe econômica espera que desta forma se poderá transmitir maior segurança às pessoas e dar maior movimento à paralisada economia. Também se espera anunciar a fórmula que será adotada para a indexação dos depósitos do "corralito" e os créditos.Além dos anúncios previstos para sábado, conforme disse o vice-ministro, Jorge Todesca, a equipe econômica iniciará as negociações com o Fundo Monetário Internacional com vistas à uma ajuda financeria. Na quarta-feira chegarão à Buenos Aires os dois técnicos do FMI, Tómas Reichmann e Claudio Loser, responsáveis pelo caso argentino. O FMI exige a flutuação do dólar, enquanto que o governo afirma ser necessária uma ajuda mínima de US$ 10 bilhões para adotar este câmbio.O FMI também quer um orçamento exeqüível e a realização de algumas reformas como a administrativa, por exemplo. Segundo Jorge Todesca, os anúncios previstos para sábado, incluirão a definição da política fiscal e monetária.Mais um dia de protestosChegará hoje à capital federal, a passeata dos chamados piqueteiros (por causa dos piquetes que interrompem avenidas, rodovias e pontes) que fazem parte da Corrente Classista e Combativa (CCC), que reúne desempregados de toda a província de Buenos Aires. Também participam do protesto, a Federação Terra e Habitação. Eles saíram ontem à noite da região de La Matanza, uma das mais pobres da grande Buenos Aires, e deverão concentrar-se na Praça de Maio. Na programação consta o bloqueio de vários pontos do trânsito no interior do país e na capital em mais um dia de protestos na Argentina.Bolsa sem expectativasA Bolsa de Buenos Aires iniciará a semana sem grandes expectativas de melhores negócios do que os realizados na semana passada, quando registrou três dias consecutivos de baixa, após uma alta de vários dias desde duas semanas atrás. Para o analista Luis Corsiglia, a Bolsa manterá os mesmos níveis e acompanhará as intervenções do Banco Central para controlar o dólar. Para ele, a maior expectativa gira em torno dos anúncios previstos para o próximo sábado e a negociação com o FMI.Leia o especial

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