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Governo argentino terá que revelar metódo para medir inflação

Pedido da Justiça é para acabar com polêmica entre especialistas; metodologia nunca foi apresentada

Marina Guimarães, da Agência Estado,

18 de agosto de 2009 | 14h26

O ministro de Economia da Argentina, Amado Boudou, vai dar mais um passo em busca da transparência das estatísticas oficiais. Depois de criar um conselho de acadêmicos e técnicos para acompanhar a elaboração dos números do Instituto de Estatísticas e Censos (Indec), Boudou vai revelar a metodologia usada para calcular o Índice de Preços ao Consumidor (IPC). A fórmula que é aplicada desde abril do ano passado gera polêmicas entre os especialistas porque nunca foi apresentada pelo organismo. Na semana passada, a Justiça intimou o Indec a revelar publicamente como calcula a inflação.

 

As suspeitas de manipulação dos números oficiais da inflação na Argentina por parte do governo começaram antes, em janeiro de 2007. Porém, após a derrota eleitoral parlamentar que a presidente Cristina Kirchner sofreu no fim de junho, os empresários aumentaram a pressão sobre o governo para normalizar o funcionamento do Indec e seus números. Os funcionários do Indec também denunciaram junto à Justiça a intervenção estatal na confecção dos indicadores. Segundo fontes do Ministério de Economia, a apresentação da fórmula para calcular a inflação será feita na próxima quinta-feira, 20, por Boudou e pelo diretor técnico do Indec, Norberto Itzcovich.

 

Eles vão ter de explicar como é o sistema de ponderações variáveis que o Indec usa para medir os preços das verduras, frutas e roupa, por exemplo. Até o momento, os especialistas sabem somente que o peso destes produtos na cesta do IPC varia de acordo com o mês, buscando refletir a sazonalidade dos artigos. Porém, os detalhes desta ponderação em cada um dos períodos medido nunca foram explicados. Os economistas opinam que essa revelação, assim como os conselhos de acompanhamento criados por Boudou, não vão recuperar totalmente a credibilidade do Indec. Mas vão dar aos especialistas privados mais informações para que possam acompanhar melhor os cálculos oficiais.

 

Os mercados aguardam também o anúncio de Boudou sobre a lista dos acadêmicos de cinco universidades que vão fazer parte do Conselho de Avaliação do Indec. Muitos dos professores indicados pelas reitorias não aceitaram o convite oficial por temer um desgaste. "Alguns acreditam que a iniciativa do governo é mais uma manobra para ganhar tempo e que não existe uma decisão real de mostrar os números corretos da inflação, desemprego, pobreza e outros indicadores", disse à Agência Estado um professor da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade de Buenos Aires que prefere o anonimato.

 

Agropecuário

A falta de transparência não se limita ao Indec. Depois do conflito entre o governo e o setor agropecuário, em março de 2008, a Secretaria de Agricultura deixou de publicar cerca de 15 séries estatísticas sobre a produção e o comércio da agricultura e da pecuária do país. Assim como ocorreu no Indec, funcionários ligados às estatísticas do setor agropecuário foram substituídos por pessoas de confiança do atual titular da Afip (a Receita Federal argentina), Ricardo Echegaray.

 

Em recente entrevista à Agência Estado, o analista Gustavo Lopéz, da consultoria Agritrend, afirmou que "não existem dados oficiais de nada mais, nem de área plantada". Ele diz que o governo "não tem a intenção de dar transparência a nenhuma cifra porque são todas muito negativas para o país".

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