'Governo arquitetou a saída dos diretores da Anac', diz Denise

Ex-diretora afirma que foi transformada em bode expiatório da crise ocorrida no setor aéreo brasileiro

Da redação,

11 de junho de 2008 | 11h19

A ex-diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Denise Abreu, afirmou nesta quarta-feira, 11, à Comissão de Infra-Estrutura do Senado que o governo arquitetou a renúncia dos diretores da Anac. Ela questionou ainda a dificuldade dos sócios brasileiros em apresentar os documentos necessários para a compra da Varig e aproveitou para citar a venda da BRA e dizer que não houve esse tipo de problema, apesar de se tratar de uma transação idêntica. As acusações de Denise de que a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, favoreceu o fundo americano Matlin Patterson e seus sócios brasileiros na venda da Varig foram feitas em entrevista exclusiva ao Estado, em 4 de junho (leia aqui).     Veja também:Zuanazzi volta atrás e depõe sobre venda da Varig na quartaDilma repassa argumentos contra depoimento de Denise AbreuPSDB vai reagir a manobras da base aliada contra Denise AbreuLula diz que denúncias sobre venda da Varig são 'abomináveis'MPF vai investigar sócios da VarigTurbulências da Varig   "Demorei a compreender as razões do governo [para arquitetar as renúncias]", disse. Segundo Denise, primeiro falou-se em uma trama da Aeronáutica, depois de que se tratava de um pedido do ministro da Defesa, Nelson Jobim. Segundo ela, no entanto, era apenas mais uma desculpa para todo o "massacre" e era óbvio que existiam outros interesses por trás. A ex-diretora disse também que foi transformada em bode expiatório da crise ocorrida no setor aéreo brasileiro, embora tenha ficado no órgão apenas um ano e cinco meses, tempo reduzido para o equacionamento dos problemas enfrentados na área.  A ex-diretora reafirmou que a ministra Dilma questionou "expressamente" as exigências feitas pela Anac à empresa Volo do Brasil, que negociava a compra da VarigLog. Denise explicou que diante do processo do Sindicato Nacional das Empresas Aéreas, que questionava suposta participação de mais de 20% de capital estrangeiro na Volo, ela cobrou dos sócios brasileiros da empresa a apresentação de declaração de Imposto de Renda, comprovação de entrada de capital estrangeiro da ordem de 20% na companhia (dado registrado no Banco Central) e apresentação de "eventual contrato de mútuo" dos sócios brasileiros e estrangeiros.  Depois disso, segundo ela, a ministra Dilma a chamou para uma reunião junto com a secretária-executiva da Casa Civil Erenice Guerra. "Fui indagada expressamente por cobrar exigências que, segundo a ministra, não estavam expressas em lei", disse Denise. Segundo ela, nessa reunião ela ouviu pela primeira vez que havia uma representação contra ela no Ministério da Defesa.  Denise Abreu afirmou ainda que "gestou por nove meses" a decisão de falar. Um dos motivos, como disse, foi a necessidade de prestar satisfação a membros de sua família. Segundo ela, foi enviada à casa de sua mãe, na época do seu primeiro depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Caos Aéreo, documentação falsa sobre supostas contas que ela mantinha no exterior.  (com Agência Senado e Fabio Graner e Isabel Sobral, da Agência Estado)

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