Helvio Romero/Estadão
Helvio Romero/Estadão

Governo arrecada R$ 3,7 bilhões com leilão de quatro aeroportos

Valor representa quase 25% de ágio em relação ao estabelecido; R$ 1,5 bilhão entra nos cofres públicos neste ano

Renée Pereira, O Estado de S.Paulo

16 Março 2017 | 12h05

Em meio a uma das maiores crises econômicas do Brasil, o governo conseguiu leiloar, com ágio médio de 23%, os aeroportos de Fortaleza (CE), Salvador (BA), Florianópolis (SC) e Porto Alegre (RS). No total, o governo vai arrecadar R$ 3,72 bilhões durante o período de concessão, sendo que R$ 1,5 bilhão será pago à vista pelos vencedores. Apesar do pequeno número de participantes - apenas três empresas apresentaram propostas -, alguns terminais tiveram forte disputa, como foi o caso dos aeroportos da Região Sul.

Realizado na manhã desta quinta-feira, 16, na sede da BM&F Bovespa, em São Paulo, o leilão em nada se parecia com as últimas disputas. Sem as grandes construtoras, penduradas na Lava Jato, o espaço foi tomado pelas “grifes” do setor aeroportuário mundial. No saguão da bolsa paulista, a mistura de idiomas mostrava que, desta vez, a disputa era diferente. Sem nenhuma brasileira no certame, a francesa Vinci, a alemã Fraport e a suíça Zurich deram lances que chegaram a superar em 850% a oferta inicial mínima (25% da outorga total), como ocorreu no Aeroporto de Porto Alegre.

Nesse caso, quem arrematou o terminal gaúcho foi a Fraport - empresa que participou dos últimos dois leilões ao lado da Ecorodovias e perdeu todos. Desta vez, no entanto, ela veio disposta a não sair de mãos abanando. Sozinha, sem nenhum parceiro brasileiro, a operadora arrematou os dois aeroportos que disputou: Porto Alegre e Fortaleza. Os lances foram, respectivamente, 852% e 18% superiores à oferta inicial mínima, que representa 25% da outorga - se considerado o valor total, os ágios caem para 213% e 5%.

O aeroporto de Florianópolis também foi bastante concorrido. No leilão viva voz, teve quatro rodadas de disputa entre a Vinci e a Zurich. No final, quem levou a melhor foi a empresa suíça, que administra um dos melhores aeroportos do mundo (Zurich) e é sócia da CCR em Confins, em Minas Gerais. A Vinci disputou três aeroportos, mas arrematou apenas Salvador. O foco da companhia, no entanto, era Fortaleza - aeroporto considerado estratégico por causa da proximidade com a Europa.

Considerado um teste para o atual governo, o leilão foi um alívio para o ministro Wellington Moreira Franco, da Secretaria-Geral da Presidência, que vinha sendo pressionado por resultados no programa de concessão. Além do R$ 1,5 bilhão que será pago à vista (o restante será pago após carência de cinco anos), a licitação representará investimentos de R$ 6,6 bilhões nos quatro aeroportos. A maior parte desse valor terá de ser aplicada nos primeiros cinco anos de concessão. 

“Viajamos o mundo inteiro, mudamos a modelagem e ampliamos os prazos. Como resultado, o leilão foi um sucesso estrondoso e coloca o Brasil na rota dos investimentos nacionais e internacionais”, afirmou o ministro dos Transportes, Maurício Quintella. “Estamos fazendo um esforço imenso para colocar o País nos trilhos e restabelecer a confiança”, completou o ministro Moreira Franco.

Mercado atrativo. Na avaliação do sócio da BF Capital, Renato Sucupira, que elaborou estudos de viabilidade de dois dos aeroportos leiloados, o resultado foi um sucesso, considerado o atual momento da economia brasileira e a turbulência política. “Apesar de tudo que está ocorrendo e de toda corrupção, o País ainda é visto como um mercado atrativo.” 

Para ele, no entanto, os ágios foram baixos. Calculado sobre o valor total da outorga, Porto Alegre teve ágio de 213%; Florianópolis, 15%; Fortaleza, 5%; e Salvador, 28%. “Mas, num momento como esse, ter três grupos estrangeiros interessados e leiloar quatro aeroportos é muito bom.”

Apesar de disputarem sozinhas o leilão, as estrangeiras deverão contratar construtoras brasileiras para levantar os empreendimentos exigidos no edital. A Fraport negocia com a Primav, do grupo CR Almeida (sócio da Ecorodovias), um contrato para executar as obras. 

Já a Vinci, segundo fontes de mercado, deve fechar com a construtora Queiroz Galvão, empresa envolvida na Lava Jato. O diretor de negócios internacionais da Zurich Airport, Martin Fernandez, afirmou que a empresa ainda avalia opções no mercado.

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