Sérgio Castro/Estadão
Sérgio Castro/Estadão

Governo arrecada R$ 20,8 bilhões com leilão de Galeão e Confins

Com oito propostas e cinco consórcios, ágio médio chega a 251%; Galeão foi arrematado por consórcio liderado por Odebrecht; consórcio liderado por CCR levou Confins

Wladimir D'Andrade, Luciana Collet e Fernanda Guimarães, Agência Estado - Texto atualizado às 13h21

22 de novembro de 2013 | 11h01

SÃO PAULO - Oito propostas e cinco consórcios disputaram o leilão dos aeroportos de Galeão (RJ) e de Confins (MG), realizado na manhã desta sexta-feira, 22, na sede da BM&FBovespa, São Paulo.

Com o valor global do leilão, o governo arrecada R$ 20,839 bilhões, o que representa ágio de 251,7% (diferença entre o lance mínimo exigido e o total arrecadado). 

O total arrecadado pelo governo com a concessão dos aeroportos de Galeão e Confins é maior que o bônus de assinatura do leilão de Libra realizado em outubro, o maior do pré-sal. O leilão de Libra teve bônus de assinatura de R$ 15 bilhões, sem ágio.

A presidente Dilma, em Fortaleza, disse a jornalistas que o resultado do leilão de hoje foi "muito bom" e "acima das expectativas".

Vencedores. O consórcio liderado por Odebrecht e Transport venceu a concessão do Aeroporto de Galeão, ao ofertar R$ 19,018 bilhões, o que representa um ágio de 293,9%. O Aeroporto de Confins foi arrematado pelo grupo liderado por CCR com uma proposta de R$ 1,82 bilhão, ou ágio de 66%.

Na fase de lances viva voz, nenhuma nova oferta foi feita pelo terminal fluminense. As únicas ofertas por Confins foram dos consórcios da CCR e Queiroz Galvão, cuja maior oferta foi de R$ 1,8 bilhão, ou seja, R$ 20 milhões abaixo da proposta vencedora.

Os vencedores foram os consórcios que ofereceram os maiores lances para cada aeroporto. Na etapa viva voz, o lance mínimo, acima da maior oferta inicial, era de R$ 500 milhões para Galeão e de R$ 100 milhões para Confins. De acordo com as regras, um mesmo consórcio não poderia vencer o leilão nos dois aeroportos.

Ofertas iniciais por Galeão:

-Consórcio Aeroportos do Futuro, formado por Odebrecht e TransPort, com 60%, e a operadora do aeroporto de Cingapura Changi, com 40%, ofereceu R$ 19,018 bilhões, ágio de 293%.

-Consórcio Sócrates, formado pela Carioca Engenharia, GP Investimentos e as operadoras dos aeroportos de Paris (Aéroports de Paris - ADP) e de Amsterdã (Schiphol), ofereceu R$ 14,5 bilhões, ágio de 200,3%.

-Consórcio Novo Aeroporto Galeão, formado pelas empresas EcoRodovias e Fraport, cada uma com 42,5%, e por Invepar, com 14,99%, ofereceu R$ 13,113 bilhões, ágio 171,6%.

-Consórcio AeroBrasil, formado por CCR, com 75%, e a operadora Flughafen Zurich AG, que administra o aeroporto de Zurique, com 24%, e a Munich Airport, com 1%, ofereceu R$ 10,350 bilhões, ágio de 114,4%.

-Consórcio Aliança Atlântica Aeroportos, formado por Queiroz Galvão e Ferrovial, ofereceu R$ 6,567 bilhões, ágio de 36%.

Ofertas iniciais por Confins:

-Consórcio AeroBrasil, formado por CCR e a operadora suíça Flughafen Zurich AG, que administra o aeroporto de Zurique, ofereceu R$ 1,4 bilhões, ágio de 27,7%.

-Consórcio Aeroportos do Futuro, formado por Odebrecht e TransPort com 60% e a operadora do aeroporto de Cingapura Changi com 40%, ofereceu R$ 1,335 bilhões, ágio de 21,8%.

-Consórcio Aliança Atlântica Aeroportos, formado por Queiroz Galvão e Ferrovial, ofereceu R$ 1,096 bilhões, sem ágio.

Entenda o leilão. De acordo com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), os aeroportos de Galeão e Confins respondem, juntos, pela movimentação de 14% dos passageiros, 10% da carga e 12% das aeronaves do tráfego aéreo brasileiro. O lance mínimo para o terminal fluminense foi de R$ 4,828 bilhões, com concessão válida por 25 anos, prorrogável por mais cinco. Já para o aeroporto mineiro, o lance mínimo foi de R$ 1,096 bilhão, com concessão válida por 30 anos, prorrogável também por mais cinco.

O modelo da concessão mantém a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) como sócia de 49% do empreendimento. O edital exigia a presença nos consórcios de um operador aeroportuário com experiência em terminais com movimento superior a 22 milhões de passageiros por ano para o Galeão e de 12 milhões de passageiros anuais para Confins.

Os futuros concessionários dos aeroportos do Galeão e Confins vão receber os terminais, em 17 de março de 2014, com obras inacabadas, insatisfação dos usuários e um curto prazo para atender às exigências previstas no edital, a tempo da realização da Copa do Mundo, em junho. Nos dois terminais do Galeão, os investimentos da Infraero serão de R$ 443,5 milhões, mas os resultados ainda não foram sentidos. Já as obras que estão sendo realizadas pela Infraero em Confins têm previsão de término em abril de 2014. A mudança faz parte do PAC Copa e até o evento serão investidos em Confins R$ 430 milhões. (Colaboração de Antonio Pita e Florence Couto dos Santos, especial para o Estado)

 

Tudo o que sabemos sobre:
concessõesaeroportosGaleãoConfins

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.