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Governo aumenta taxa de importação de brinquedos de 20% para 35%

Segundo a associação dos fabricantes nacionais de brinquedos, a elevação do imposto tende a ajudá-los a ganhar maior participação no mercado brasileiro, atualmente dominado pelos chineses, e expandir sua presença nos países do Mercosul

Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

29 de dezembro de 2010 | 00h00

Passado o Natal, a Câmara de Comércio Exterior (Camex) decidiu elevar de 20% para 35% as alíquotas de importação de diversos brinquedos. De acordo com resolução publicada ontem no Diário Oficial da União, ficará mais cara a compra no exterior de triciclos, patinetes, bonecos, carros, trens elétricos, brinquedos de montar, quebra-cabeças, instrumentos musicais de brinquedo e outras peças com motores.

Segundo o presidente da Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos (Abrinq), Sinésio Batista da Costa, a elevação da alíquota deve ajudar a indústria nacional a reequilibrar o mercado brasileiro do setor, no qual a participação dos chineses já chega a 60%. "O mercado nacional terminou o ano de 2010 com 60% das vendas nas mãos dos chineses e 40% com a indústria local. A expectativa é que possamos chegar a um equilíbrio de 50% para cada lado'', disse o empresário.

Mercosul. A alteração na tarifa não ocorreu apenas no Brasil, mas também nos outros países que fazem parte do Mercosul. "Na Argentina, os chineses respondem por 92% do mercado de brinquedos, além de 98% no Paraguai e 99% no Uruguai", disse Costa.

Segundo ele, os governos desses países estão oferecendo incentivos fiscais para a instalação de novas fábricas de brinquedos brasileiros na região. "Muito em breve abriremos uma ou duas fábricas no Uruguai e outras duas no Paraguai", afirmou o executivo. Ele também destacou que a alíquota de importação no Mercosul de partes e peças de brinquedos caiu para 2% desde agosto deste ano, favorecendo a ampliação da produção regional. "O Brasil não produz brinquedos eletrônicos e nem quer produzir. O equilíbrio de mercado que buscamos é com o aumento da produção de bonecas, jogos de tabuleiro e outros", completou.

O empresário estima que, mesmo com os incentivos, a região ainda levará cinco anos para recuperar os 15 mil empregos perdidos no setor nos últimos três anos. "Cada emprego perdido na indústria do setor no Mercosul representa a criação de oito novas vagas na China, então estamos falando de 120 mil empregos para os chineses às nossas custas nesse período", declarou Costa.

Apesar do aumento na alíquota de importação, o empresário disse acreditar que o custo adicional não deve ser repassado para o consumidor. Para ele, os preços devem permanecer estáveis, com a diferença sendo absorvida pela cadeia de importação e revenda. Além disso, afirmou, os preços cobrados no Natal deste ano já foram, em média, 4% inferiores aos praticados no ano passado.

"A medida foi tomada no momento certo. Se houvesse uma elevação da alíquota antes da semana da criança, por exemplo, poderia ter havido um aumento oportunista dos preços", acrescentou Costa.

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