Governo aumenta verbas para financiar próxima safra agrícola

Volume de recursos destinados à safra 2012/2013 será 7,2% maior do que o liberado no ano passado

VENILSON FERREIRA / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

26 de junho de 2012 | 03h03

O governo decidiu aumentar o volume de recursos destinados ao financiamento da próxima safra agropecuária e reduzir o custo das operações. O pacote de medidas que será anunciada pela presidente Dilma Rousseff na próxima quinta-feira englobará R$ 115 bilhões para financiar os produtores e a taxa de juros destas operações será de 5,5% ao ano.

O volume de recursos destinados para a safra 2012/2013 é 7,2% maior do que o liberado no ano passado. A taxa de juros, por sua vez, ficará 1,25 ponto porcentual menor do que o praticado na última safra.

Os últimos detalhes do plano de safra estão sendo finalizados pelos técnicos do governo. A queda nos juros a ser cobrado nas operações de financiamento foi decidida em linha com o ciclo de redução da taxa básica (Selic), que está em 8,50% ao ano - menor patamar histórico - e que deve sofrer mais dois cortes, para fechar o ano em 7,50%, de acordo com as projeções de economistas do mercado financeiro.

O corte do juro ficou acima do 1 ponto reivindicado pelos produtores. Mas o aumento de recursos ficou abaixo das expectativas. As principais entidades do agronegócio pediam aumento de 19,4% nos recursos, para R$ 128 bilhões.

Estiagem. O peso maior do crédito oficial no financiamento da safra está na Região Sul, que no ano passado recebeu por 40% do montante de recursos liberados pelo governo. A Região Sudeste ocupou o segundo lugar com 31%. O Centro-Oeste, que nesta safra foi o maior produtor brasileiro, recebeu no ano passado 18% do total liberado no crédito rural.

Os produtores da Região Sul neste ano dependerão ainda mais do crédito oficial, por causa da descapitalização provocada pela perda de safra provocada pela forte estiagem do início deste ano. Os agricultores do Rio Grande do Sul foram os mais castigados, pois perderam 54% do milho, 45% da soja, 17% do fumo e 11% do arroz. A Federação de Agricultura e Pecuária do Rio Grande do Sul (Farsul) estima os prejuízos em R$ 6 bilhões.

Na Região Centro-Oeste, que nesta safra foi beneficiada pelo clima favorável e os bons preços das commodities, a participação do crédito oficial para bancar o custeio da safra deve perder mais espaço para os recursos próprios dos agricultores e a participação das tradings e revendas, por meio de operações de adiantamento dos insumos para recebimento da produção após a colheita.

Na safra passada, em Mato Grosso, os recursos próprios dos agricultores responderam por 25% dos gastos com o custeio das lavouras de soja, vindo em seguida as revendas de insumos (26%), tradings (25%) e bancos públicos e privados com (19%). As estimativas são da Agroconsult.

Um levantamento feito pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq) constatou que em Sorriso (MT), os produtores até o mês passado compraram 94% dos fertilizantes que serão utilizados no preparo do solo para o início do plantio, que começa na segunda quinzena de setembro.

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