Governo Bolsonaro faz aceno à Embraer depois de reduzir compra do KC-390

Governo Bolsonaro faz aceno à Embraer depois de reduzir compra do KC-390

O Comando da Aeronáutica comunicou que, por causa de restrições orçamentárias, vai reduzir a encomenda para apenas 15 unidades

Felipe Frazão, enviado especial, O Estado de S.Paulo

14 de novembro de 2021 | 12h11

DUBAI - O presidente Jair Bolsonaro fez um aceno à Embraer neste domingo, dia 14, após a Força Aérea Brasileira (FAB) desistir unilateralmente de honrar a compra inicial de 28 unidades do cargueiro KC-390 Millennium. O Comando da Aeronáutica comunicou que, por causa de restrições orçamentárias, vai reduzir a encomenda para apenas 15 unidades – quatro das quais já foram entregues pela companhia. Mas o Ministério da Defesa diz que a negociação continua para chegar a um entendimento.

“A negociação não foi encerrada, e esse foi o motivo de estarmos aqui”, disse o ministro da Defesa, general Braga Netto, durante a visita presidencial às aeronaves da Embraer na Dubai Air Show, nos Emirados Árabes Unidos. "Continuamos em negociação e vamos entrar num acordo.”

Dentro de um cargueiro KC-390 da FAB exposto na feira Dubai Air Show, Bolsonaro puxou para perto de si o presidente da Embraer Defesa & Segurança, Jackson Schneider, e falou: "Continuaremos nos amando, tá ok?". O executivo não quis comentar.

Bolsonaro segurava uma miniatura do KC-390, numa tentativa de promover o cargueiro de uso múltiplo cujas vendas nos últimos anos colaboraram para a quebra de recordes do setor de Defesa nacional: as exportações já somam US$ 1,35 bilhão neste ano.

Um ministro militar disse ao Estadão que a decisão do governo deve ser encarada com naturalidade por causa da retração econômica provocada pela pandemia e sinalizou que a compra pode ser retomada aos poucos. 

Até o momento, a Embraer não foi notificada oficialmente da decisão da Aeronáutica, endossada por Bolsonaro. Na véspera da feira, o presidente disse que o ministério não tem dinheiro para manter a compra inicial. As conversas vinham desde abril, segundo o comandante da Aeronáutica, brigadeiro Baptista Junior, mas não houve acordo. A empresa diz que vai estudar medidas legais e estudar impactos para o equilíbrio econômico e financeiro do contrato original, de 2014, atualmente em cerca de R$ 11 bilhões.

Crise.

Nos bastidores, a redução da compra abriu uma crise pelo impacto potencial não só nas finanças da empresa, como na imagem dela e no prestígio do KC-390 internacionalmente. As encomendas junto à Embraer são feitas por governos estrangeiros e costumam contar com apoio político do Palácio do Planalto.

O presidente também circulou ao redor e entrou em outros aviões da empresa, entre eles o caça Super Tucano da Força Aérea dos Emirados Árabes, que conta com apoio de pilotos brasileiros, o jato executivo Praetor 600 e o jato voltado para transporte comercial de passageiros E-2.

Segundo o presidente, além do Super Tucano, o governo local avalia a aquisição do KC-390 para a frota dos Emirados Árabes. Fontes militares do governo brasileiro dizem, porém, que a quantidade não foi dita ainda e ponderaram que a Embraer só pode aceitar encomendas se tiver capacidade de cumprir agora, para não gerar desgastes. A empresa está com uma unidade na linha de montagem em Gavião Peixoto (SP), que será a primeira entregue à Força Aérea Portuguesa, em 2023. Portugal comprou cinco aeronaves, e a Hungria, duas.

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