Paulo Whitaker Reuters
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Governo Bolsonaro já faz sondagens para substitutos de Pires e Landim para o comando da Petrobras

As indicações de Adriano Pires e Rodolfo Landim esbarraram em conflitos de interesse entre as suas atuações no mercado de gás e óleo e os da petrolífera brasileira

Adriana Fernandes, O Estado de S.Paulo

04 de abril de 2022 | 16h50
Atualizado 04 de abril de 2022 | 20h48

BRASÍLIA - Emissários do governo Jair Bolsonaro fazem sondagens junto a investidores destacados do setor de petróleo sobre novos nomes para o comando da Petrobras e do seu Conselho de Administração, segundo apurou o Estadão.

As indicações de Adriano Pires e Rodolfo Landim esbarraram em conflitos de interesse entre as suas atuações no mercado de gás e óleo e os da petrolífera brasileira. Pires confirmou em carta ao Ministério de Minas e Energia, nesta segunda-feira, 4, que desistiu da indicação para a presidência da Petrobras. Já Landim desistiu da indicação para a presidência do conselho de administração no fim de semana. 

Para assumir o cargo, Pires teria de abrir mão de todos os contratos de longo prazo que a sua consultoria possui, o Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), com as petroleiras e empresas de gás.

A avaliação é que mesmo que isso ocorresse, depois da exposição pública dos problemas, ficaria a suspeita pairando sobre Pires de um eventual “acordo de gavetas”, aumentando o desgaste em torno da estatal que começou com os ataques do presidente Jair Bolsonaro à política de preços atrelada ao mercado internaconal.

Segundo apurou o Estadão, para os investidores o que está ocorrendo nesse momento é uma “guerra” em torno da eficácia da governança. Um embate duro. O presidente Jair Bolsonaro já manifestou contrariedade publicamente e em vários momentos de não poder fazer a troca de comando da Petrobras livremente, mesmo a União sendo a acionista majoritária.

Com o impasse, circulam informações em Brasília e na empresa de que o presidente da Petrobras, Joaquim Silva e Luna, poderia ficaria mais um tempo até a definição dos nomes. Há uma pressão que parte da empresa para que a solução seja interna com executivos ou ex-executivos da estatal.

Qualquer um dos atuais diretores executivos da Petrobras já passou pela checagem da integridade do candidato, chamada de  "background check de integridade" (BCI). Foi essa checagem que apontou problemas de conflito de interesses de Landim e Pires.

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