Governo brasileiro aprova retaliação comercial contra EUA

Mais de 200 produtos americanos enfentarão tarifas adicionais para entrar no Brasil,

Fabrícia Peixoto, BBC

09 de fevereiro de 2010 | 23h11

A Câmara de Comércio Exterior (Camex), órgão ligado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, aprovou nesta terça-feira uma retaliação comercial aos Estados Unidos no valor aproximado de US$ 560 milhões.

A previsão é de que 222 produtos americanos importados pelo Brasil terão de enfrentar barreiras tarifárias adicionais para entrar no mercado nacional. Em alguns casos, o acréscimo pode chegar a 100 pontos percentuais.

De acordo com a Camex, a lista final dos produtos será divulgada no dia 1º de março, mas ainda não há data definida para que as novas tarifas entrem em vigor.

A retaliação brasileira aos Estados Unidos é uma resposta a práticas protecionistas adotadas pelo governo americano no setor de algodão. O caso foi levado à Organização Mundial do Comércio, que deu ganho de causa ao governo brasileiro.

Retaliação cruzada

A OMC havia estipulado o valor da retaliação em cerca de US$ 900 milhões, mas nessa primeira fase o governo brasileiro preferiu não incluir produtos de bens de capital e insumos para indústria "para não prejudicar o setor produtivo nacional".

O governo estuda ainda a possibilidade de usar seu direito de retaliação não apenas em produtos, mas também nas nas áreas de serviço e de propriedade intelecutal - a chamada retaliação cruzada.

De acordo com o Itamaraty, o governo dos EUA chegou a fazer algumas propostas para evitar a retalição comercial, mas sem sucesso.

Em recente conversa com jornalistas brasileiros, o novo embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Thomas Shannon, disse que "retaliações são sempre ruins, pois geram contra-retaliações".

A disputa entre os dois países na OMC durou nove anos. O Brasil registrou a reclamação em 2002, mas somente no ano passado a retaliação contra os Estados Unidos foi aprovada.

O argumento é de que o governo americano oferece subsídios excessivos a seus produtores, o que distorce preços e prejudica o produtor brasileiro. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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