Governo brasileiro compra mais títulos dos EUA

Enquanto a aplicação do Brasil cresceu 8,8%, chinesa caiu 3,1% em junho

Patrícia Campos Mello, WASHINGTON, O Estadao de S.Paulo

19 de agosto de 2009 | 00h00

A China reduziu em 3,13 % suas reservas em títulos do Tesouro americano em junho, enquanto o Brasil as elevou em 8,8% no mesmo período. Segundo dados do Tesouro americano, a China, maior detentora de dívida americana, passou de um estoque de US$ 801,5 bilhões em títulos da dívida dos EUA em maio para US$ 776,4 bi em junho. Já o Brasil passou de US$ 127,5 bilhões em maio para US$ 139,8 bilhões em junho. Esses números são acompanhados atentamente por analistas, pois demonstram a disposição de outros países financiarem o déficit americano. Mas o número que chamou mais atenção foi o aumento da demanda por títulos americanos de longo prazo no geral - investidores estrangeiros compraram US$ 90,7 bilhões mais em títulos de longo prazo do que venderam. Esse aumento é importante porque os EUA terão de emitir cada vez mais para cobrir os crescentes déficits no orçamento. E houve migração dos títulos de curto prazo para os papéis mais longos, o que demonstra maior confiança nas contas do governo americano, apesar do déficit.O Brasil seguiu o caminho inverso da China e da maioria dos países, que começaram a aumentar seus estoques de títulos americanos de longo prazo e reduzir os de curto. O País teve venda líquida de US$ 16,686 em títulos do Tesouro de longo prazo, mas teve compra líquida de US$ 29,34 de títulos de curto prazo (inferior a um ano). Já a China reduziu seu estoque de títulos de curto prazo em US$ 52 bilhões, e aumentou os de longo prazo em US$ 26,63 bilhões.O gigantes chinês, como maior detentor de títulos de longo prazo dos EUA, vê-se diante de um dilema - quer diversificar suas reservas para não ficar tão vulnerável à flutuação da moeda americana, que tende a se desvalorizar por causa do crescente déficit americano. Ao mesmo tempo, por ser o maior detentor de Treasuries, o governo chinês reluta em sair vendendo esses papéis, porque isso faria os preços dos títulos caírem (bastante prejudicial para as reservas chinesas).O Brasil, nos últimos 12 meses, reduziu seu estoque de Treasuries - de US$ 158 bilhões em junho do ano passado para US$ 138,8 bilhões em junho deste ano. O País se mantém como sexto maior detentor de títulos americanos. Em segundo lugar está o Japão, com US$ 711,8 bilhões.

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