Governo brasileiro está em compasso de espera

O governo brasileiro está , como os mercados, na desconfortável espera de um acordo do governo Barack Obama com o Congresso dos EUA para a ampliação do teto de endividamento do país.

Beatriz Abreu e Fabio Graner, O Estado de S.Paulo

26 de julho de 2011 | 00h00

As autoridades estão encarando a situação com temor. Não há um único personagem que aposte na anunciada suspensão de pagamento pelo seu ineditismo e pelo potencial de arrastar o mundo para uma crise econômico-financeira profunda, de longa duração e com desdobramentos imprevisíveis. Nos bastidores de Brasília, alguns cenários são traçados sobre como agir se o pior acontecer.

A confusão americana tem data marcada para uma solução, para o bem ou para o mal: 2 de agosto. No caso do inacreditável default, os países, não apenas o Brasil, e os mercados terão poucas opções sobre para onde direcionar o dinheiro que circula pelo mundo. Em um breve raciocínio, uma fonte brasileira cita três alternativas: comprar ouro, aplicar em franco suíço ou euro ou seguir com os títulos americanos.

O ouro é um ativo sem liquidez e sem volume suficiente para absorver o dinheiro que estará à busca de abrigo. No caso das moedas, haverá um sobe e desce das cotações. "Por incrível que pareça, teríamos de permanecer nos títulos americanos", relatou a fonte.

Apesar da pressão política sobre Obama, há análises no governo brasileiro de que a sociedade americana começa a ter uma reação contrária aos interesses dos republicanos. Afinal, se for imposto um ajuste fiscal rigoroso, o resultado será um agravamento da crise, acentuando o desemprego e a debilidade da atividade econômica. E essa situação é considerada muito ruim pelas autoridades brasileiras, que estão tateando na dosagem da alta dos juros para que não haja uma retração forte da economia local.

Diante do quadro internacional complexo, a presidente Dilma Rousseff resolveu correr o risco de um pouco mais de inflação em 2011 e levar o IPCA para 4,5% somente em 2012, mas compreende que a situação não é simples. Enquanto a zona do euro e os Estados Unidos exibem um quadro recessivo de longo prazo, o combate à inflação segue no plano do gradualismo, por necessidade. Nesse contexto, um instrumento que pode ser vitaminado é o recolhimento compulsório, dinheiro que os bancos são obrigados a reter no Banco Central e que ajuda a conter a atividade com menor dose de Selic.

Na semana passada, o Comitê de Política Monetária (Copom) aumentou a Selic em 0,25 ponto porcentual, mas retirou de seu comunicado a dica de que o combate à inflação seria suficientemente prolongado. O BC não quer entrar no jogo de "gato e rato" com o mercado. A mensagem implícita é: não há o que fazer enquanto o quadro externo não demonstrar o mínimo sinal de estabilidade.

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