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Governo brasileiro reduz a 0,9% previsão de crescimento do PIB em 2014

O governo federal reduziu pela metade sua previsão de crescimento da economia brasileira em 2014 a 0,90 por cento, ante 1,8 por cento na previsão anterior, de acordo com o relatório bimestral de receitas e despesas, divulgado nesta segunda-feira pelo Ministério do Planejamento.

REUTERS

22 de setembro de 2014 | 19h35

A estimativa para o desempenho da economia este ano, apesar da revisão para baixo, é muito melhor do que a projeção dos agentes econômicos ouvidos para o Boletim Focus do Banco Central, de crescimento de 0,3 por cento.

No relatório, elaborado também pelo Ministério da Fazenda, o governo manteve a previsão para a inflação deste ano em 6,20 por cento pelo IPCA, ante estimativa do Boletim Focus de 6,3 por cento.

A estimativa para receita líquida total foi reduzida em 10,5 bilhões de reais, para 1,084 trilhão de reais neste ano, mesmo com o governo elevando em 1,5 bilhão de reais a previsão das receitas com dividendos. "Houve queda em praticamente todas as projeções dos tributos", relata o documento.

Para compensar parcialmente a queda na estimativa de receita, o governo disse que irá sacar 3,5 bilhões de reais do Fundo Soberano do Brasil (FSB).

Com isso, a queda efetiva na projeção de receita passou a 7,041 bilhões de reais, valor que foi compensando com corte similar nas despesas primárias obrigatórias, que passaram a 667,7 bilhões de reais.

Os maiores cortes nas previsões de despesas ocorreram nas transferências do Tesouro Nacional para a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), cujas dotações caíram para 9 bilhões de reais, ante 13 bilhões de reais previstos anteriormente, e nos subsídios, cortados em 3 bilhões de reais.

Num cenário marcado por arrecadação tributária estagnada, elevado peso das renúncias tributárias e baixos resultados fiscais entre janeiro e junho, o relatório das contas do governo não faz referência ao cumprimento da meta de 2014 de superávit primário de 99 bilhões de reais, equivalente a 1,9 por cento do PIB.

Em 12 meses encerrados em julho, essa economia para o pagamento dos juros da dívida pública estava em apenas 1,22 por cento do PIB, indicando a grande dificuldade do governo em atingir o alvo.

A deterioração das contas públicas e o baixo crescimento da economia levaram a agência de classificação de risco Moody's a alterar a perspectiva de rating soberano do Brasil de "estável" para "negativa", numa ameaça de rebaixamento da nota de crédito soberano do país.

(Por Cesar Bianconi e Luciana Otoni)

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