Governo brasileiro vai defender mais medidas de estímulo ao crescimento no G-20

Reunião de ministros de Finanças e banqueiros centrais do G-20 está marcada para os dias 4 e 5 de novembro, na Cidade do México

Andréia Lago, da Agência Estado,

31 Outubro 2012 | 13h53

BRASÍLIA - O governo brasileiro vai pedir aos demais países, durante a reunião do G-20, no México, que adotem mais estímulo à economia para ajudar os países em lenta recuperação, disse uma fonte à agência Dow Jones. A reunião de ministros de Finanças e banqueiros centrais do G-20 está marcada para os dias 4 e 5 de novembro, na Cidade do México.

O cenário para o crescimento global é pior agora do que o que prevalecia no começo deste ano, e o governo brasileiro vê uma "espiral negativa" causada pelos países que estão insistindo na redução dos déficits orçamentários como solução como para o lento crescimento econômico, disse a fonte, que participa das discussões de política econômica do governo brasileiro, mas pediu para não ser identificado.

O governo alemão é o principal defensor dessa estratégia e vem pedindo redução do déficit no curto prazo e reformas estruturais de médio prazo aos demais governos, recusando-se a usar seus próprios recursos para aumentar os gastos e ajudar a disseminar o crescimento, disse a fonte.

Segundo essa fonte do governo brasileiro, mais notícias econômicas ruins poderão ser necessárias entre os países da zona do euro para que o governo alemão considere a ideia de ampliar os gastos.

A economia brasileira, diz a fonte, já vem dando sinais de crescimento mais forte, após um início letárgico no começo do ano. A recuperação está acontecendo independente do que ocorre no resto do mundo devido às diversas medidas adotadas pelo governo, afirmou. Para ele, o crescimento em outras economias emergentes, como a China, está desacelerando neste momento, mas deverá continuar a se expandir neste ano. A economia chinesa vem mostrando sinais de estabilização e deverá crescer em linha com as projeções do governo, de acordo com a fonte, que observa que o PIB da China geralmente supera as projeções do governo.

Sobre a direção da economia americana, a fonte ressalva que é mais difícil de avaliar neste momento. Há sinais de melhora, pondera, mas o Federal Reserve vem sendo cauteloso em seus pronunciamentos.

Medidas aprovadas em reuniões anteriores do G-20 para estimular o crescimento econômico precisam ser monitoradas para avaliar se estão tendo efeito, defende a fonte, mas o Brasil também quer que o grupo esteja pronto para tentar novas ideias se as medidas não estiverem tendo o efeito desejado. "Uma vez que o cenário de crescimento está pior agora do que no começo do ano, nós queremos ver se todos estão fazendo o que afirmaram que fariam e questionar se as medidas tomadas estão movendo (a economia) na direção correta", disse a fonte.

Segundo essa fonte do governo brasileiro, deverá haver avanços nas questões de regulação na reunião do G-20 no México. O grupo deverá completar discussões sistêmicas importantes para instituições financeiras, e deverá estar pronto a apresentar uma lista de bancos que deverão atender essa definição. A ideia, afirma a fonte, é que tais bancos fiquem sujeitos a uma regulação mais rigorosa, incluindo exigências mais duras de capital do que aquelas do acordo bancário da Basileia.

Mudanças nas cotas que determinam os direitos de voto no Fundo Monetário Internacional (FMI) serão mais difícil de serem negociadas, reconhece a fonte. O Brasil quer aumentar suas próprias cotas e as de outras grandes economias emergentes para colocá-las mais em linha com seu peso atual na economia global. Pequenos países da Europa se beneficiam mais da atual composição de cotas e resistem às mudanças, diz a fonte. O Brasil também defende que o FMI esteja pronto a implementar outras reformas rapidamente na instituição que foram acertadas em princípio em 2010, mas não podem avançar sem aprovação dos Estados Unidos. Segundo a fonte do governo brasileiro, o FMI deve estar pronto para implementar tais reformas assim que o Congresso dos EUA aprová-las. As informações são da Dow Jones.

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