Governo britânico lança 2º pacote de ajuda a bancos

Plano dá proteção contra a inadimplência futura nos empréstimos e gera condições para aumentar o crédito

Agência Estado e Reuters,

19 de janeiro de 2009 | 06h13

O governo britânico lançou nesta segunda-feira, 19, seu segundo pacote multibilionário de ajuda aos bancos em três meses e criou as bases para que o Banco da Inglaterra possa aumentar a oferta de dinheiro, numa tentativa de impulsionar a economia da região. Veja também:De olho nos sintomas da crise econômica Dicionário da crise Lições de 29Como o mundo reage à crise  O núcleo do novo pacote é a proteção dada pelo Tesouro britânico contra a inadimplência futura nos empréstimos bancários. Os bancos e as sociedades de crédito imobiliário terão de pagar uma taxa para participar do programa. De acordo com o plano, o governo vai aumentar sua participação no Royal Bank of Scotland para 70% depois que a instituição anunciou nesta segunda o maior prejuízo de uma empresa na história britânica.  Os bancos poderão fazer seguros contra as perdas em seus ativos com mais risco. O governo irá oferecer garantias para os débitos e lançar um fundo de 50 bilhões de libras para comprar ativos de alta qualidade para tentar retomar o fluxo de dinheiro. "Pretende-se que o esquema alcance os tipos de ativos mais afetados pelas atuais condições econômicas", informou o Tesouro, num comunicado à imprensa. O governo também vai ampliar o prazo para o acesso dos bancos a um sistema de garantia de crédito anunciado em outubro. Esse sistema, que acabaria em 9 de abril, será estendido até o final do ano.  Com o novo pacote, o governo do primeiro-ministro Gordon Brown admite publicamente que o primeiro conjunto de medidas, lançado em outubro do ano passado e bastante elogiado em outros países, não foi suficiente para afastar as preocupações sobre as instituições financeiras britânicas. Diante da expectativa com a divulgação de dados esta semana que devem mostrar que a Grã-Bretanha está em recessão pela primeira vez desde 1992, o ministro de Finanças Alistair Darling disse que o plano foi desenhado para impulsionar o fluxo de crédito para empresas e consumidores. "Se não tivermos o fluxo de empréstimos, a recessão será mais longa, mais profunda e mais dolorosa", disse Darling. Recessão  Em relatório trimestral divulgado nesta segunda, o grupo de estimativas Ernest & Young ITEM Club prevê que o Reino Unido sofrerá em 2009 a maior contração econômica anual desde a Segunda Guerra Mundial e a recessão pode virar uma depressão caso o governo não adote novas medidas.  Segundo os dados o grupo projetou uma contração de 2,7% do Produto Interno Bruto (PIB) britânico em 2009, a pior queda econômica desde 1946. O relatório traça um quadro desolador de desemprego em alta, queda nos preços de moradias e desaceleração acentuada da inflação, o que "levanta o fantasma de uma década de deflação".

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