Governo busca reduzir spread há anos

Tentativas de reverter quadro ainda não deram resultados satisfatórios

Leandro Modé, O Estadao de S.Paulo

08 de setembro de 2009 | 00h00

O elevado spread bancário (diferença entre a taxa de juro que a instituição financeira paga na captação do recurso e a que cobra nos empréstimos) no Brasil está na mira do governo há anos. Os resultados práticos, porém, ainda demoram a aparecer. Segundo levantamento da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), com base em dados do Fundo Monetário Internacional (FMI), o spread médio no País passou de 31,9 pontos porcentuais no fim de 2003 para 29,6 pontos no primeiro trimestre deste ano.

"Entre setembro e março, o Brasil pagou em spread R$ 8,5 bilhões a mais do que deveria", reclama o diretor do Departamento de Tecnologia e Competitividade da Fiesp, José Ricardo Roriz Coelho. "O spread aqui é seis vezes maior do que a média mundial. Mesmo que fosse duas vezes, já seria um absurdo."

Recentemente, o presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, fizeram críticas públicas aos bancos por causa do spread alto. Em 1999, o Banco Central (BC), então comandado pelo economista Arminio Fraga, lançou um pacote de medidas para tentar reduzi-lo.

O professor do câmpus de Ribeirão Preto da USP e especialista em análise de bancos, Alberto Borges Matias, afirma que a raiz do spread alto no Brasil é o baixo volume de crédito. "Como emprestam pouco, os bancos brasileiros têm de ganhar no preço", afirma. Em junho, a relação crédito/Produto Interno Bruto (PIB) atingiu 45% no País, segundo o BC. Embora seja um nível recorde, está abaixo de outros países. No Reino Unido, por exemplo, essa relação supera 200%. Nos EUA, está acima de 180%, na China, em 108% e na China, em 50%.

Para Luís Miguel Santacreu, analista da Austin Rating, uma das formas de estimular os bancos a reduzir juros e spreads é por meio do sistema financeiro público - estratégia escolhida pelo governo Lula após a escassez de crédito que se seguiu ao aprofundamento da crise. "Os bancos públicos estão puxando a concorrência." Ele elogia também as medidas do BC nos últimos anos. "O BC deu mais transparência às informações sobre juros", afirma, citando a publicação, no site da instituição, de um ranking com as taxas cobradas pelas instituições.

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