Marcos Arcoverde/Estadão
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Governo busca saída para evitar que crise da Lava Jato afete o sistema financeiro

Na avaliação do Banco Central, dificuldades das construtoras podem, no limite, afetar os bancos com os quais elas têm dívidas, o que justificaria uma repactuação dos débitos

Adriana Fernandes e Lu Aiko Otta, O Estado de S. Paulo

16 de janeiro de 2015 | 05h00

BRASÍLIA - Preocupado com a situação financeira das empreiteiras investigadas na operação Lava Jato, da Polícia Federal, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, mandou mapear os volumes de papéis negociados pelas empresas no mercado e seus prazos de vencimento. A luz vermelha se acendeu no início deste mês, quando a construtora OAS deixou de honrar parcelas de dívidas no exterior e no País. No jargão econômico, isso é chamado de default. O movimento piorou nesta semana com a cadeia de rebaixamentos da nota de crédito das construtoras pelas agências internacionais de classificação de risco.

Na avaliação do governo, o risco dessa crise no crédito precisa ser barrado com urgência, já que poderá afetar financiamentos para empresas que nada têm a ver com a corrupção na Petrobrás, alvo principal das investigações da PF.

O assunto está sendo tratado em sigilo pelo Ministério da Fazenda por causa do impacto que pode trazer ao “Plano Levy”, a estratégia desenhada pelo ministro para recuperar a confiança na economia, atrair investimentos e retomar o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB).

O governo quer atuar preventivamente para evitar o que ocorreu na crise financeira de 2008, quando as operações com derivativos cambiais, apelidados de tóxicos, contaminaram até mesmo companhias que não estavam diretamente envolvidas nas operações.

O Banco Central também está monitorando os desdobramentos da Lava Jato sobre o mercado financeiro. Em documento elaborado para a Advocacia-Geral da União (AGU), o BC alertou que as dificuldades momentâneas de liquidez das empresas podem afetar os bancos provedores de crédito. O que, no limite, pode ser um problema para o sistema financeiro como um todo. Para o BC, isso justificaria a repactuação das dívidas dessas empresas, observadas as devidas precauções de gerenciamento de risco. As construtoras têm dívidas próximas de R$ 130 bilhões na praça. 

Seca. Segundo fontes do mercado, a oferta de linhas de crédito para essas empresas começa a secar. O mercado está fazendo o seu próprio mapeamento da exposição das empresas aos negócios com a Petrobrás.

Também no governo há quem reconheça que a Petrobrás e, por consequência, suas fornecedoras enfrentarão um período difícil por uma razão que vai além da Lava Jato: a queda do preço do petróleo, que reduz as receitas do setor. “Vai misturar tudo”, admitiu um funcionário graduado do governo.

Esse é o foco de preocupação mais imediato, mas há outros problemas no radar. O primeiro é o risco de interrupção das obras em andamento, o que dificultaria a principal aposta para a retomada do crescimento econômico. Outro é o temor de desemprego no setor, num ano de economia ainda frágil.

Acordos. Tanto na questão do crédito quanto no tema investimento, a linha básica de defesa do governo e das empresas envolvidas é delimitar bem a diferença entre as pessoas que cometeram os ilícitos e a atividade empresarial. “É momento de fortalecer a governança e prender quem tem de ser punido, separar o criminal e o empresarial, as empresas e os controladores”, disse a fonte.

Para isso, a principal aposta de solução está nos acordos de leniência que as empresas envolvidas podem fechar com a Controladoria-Geral da União (CGU). Mas as instituições financeiras querem mais segurança para fazer essas operações. Elas têm pressionado o governo, segundo fontes, por uma regulamentação mais forte contra casos de corrupção. A dúvida é se haverá tempo para isso.

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