Governo caiu na armadilha dos juros, diz Bresser Pereira

Já passou da hora de a equipe econômica brasileira mudar de rumo. No começo, foi justificável que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mantivesse a cartilha da gestão Fernando Henrique Cardoso, porque havia uma crise de confiança no Brasil. Agora, com inflação controlada e o Brasil dando mostras de crescimento, é necessário que se busque outra via para que o País caminhe rumo ao crescimento sustentável. Essa é a análise do economista e ex-ministro da Fazenda (29/4/87 a 6/1/88) do governo Sarney, Luiz Carlos Bresser Pereira, entrevistado do programa Roda Viva, da "TV Cultura". "Quero que o Lula reúna os ministros da área econômica e o Banco Central e diga: temos um grave problema. A taxa de juros é alta, impede o desenvolvimento sustentável e, por isso, quero uma estratégia para reduzi-la. Quero prazo para reduzir isso", disse ele. Mas Bresser Pereira é pouco otimista em relação a isso. Ele acredita que o fato de o Brasil ter conseguido um nível de crescimento razoável no ano passado, mesmo ao preço de uma taxa de juros alta, faz com que a equipe econômica não perceba "que está dentro de uma armadilha". A falta de atitude da equipe econômica para conter a apreciação do real frente ao dólar também foi criticada por Bresser Pereira. "É um cinismo dizer que a apreciação não é tão violenta. Os exportadores estão extremamente inseguros", argumentou. Caso a moeda brasileira continue se apreciando, o ex-ministro acredita que o desenvolvimento em 2005 não será o mesmo de 2004. Apesar das críticas à área econômica e ao setor social de Lula, que classificou como "incompetente", Bresser Pereira elogiou a política externa atual. "A política externa do governo é boa e corajosa. Os interesses nacionais foram defendidos nas rodadas de Doha e na OMC. O Brasil conseguiu unir os interesses dos países emergentes."

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