Governo cancela anúncio da terceira etapa do Minha Casa, Minha Vida

Evento, previsto para esta sexta-feira, 30, foi suspenso sob alegação de ‘incompatibilidade de agenda’ de Dilma

Murilo Rodrigues Alves, de O Estado de S. Paulo,

28 de maio de 2014 | 20h38

BRASÍLIA - O governo federal cancelou por tempo indeterminado o anúncio da terceira edição do programa Minha Casa, Minha Vida, uma das principais vitrines de campanha à reeleição da presidente Dilma Rousseff. O Palácio do Planalto informou que o evento não consta na agenda da presidente para esta sexta-feira, 28.

Oficialmente, a cerimônia foi cancelada por incompatibilidade da agenda de Dilma, que não pôde participar dos encontros com a equipe técnica que fecharia a meta da terceira etapa.

Na semana passada, na abertura do Encontro Nacional da Indústria da Construção, em Goiânia, Dilma prometeu para sexta-feira, 28, o lançamento da terceira etapa do programa. O anúncio da terceira etapa antes da conclusão da fase atual, que tem metas até o fim de 2014, é importante para o planejamento do setor da construção.

"É fundamental para que os empresários tenham base de cálculo econômico para saber o que é possível investir nesse horizonte que se estende pelos próximos quatro anos", afirmou a presidente na ocasião.

O Estado apurou com fontes do setor de construção civil que o anúncio foi adiado porque o governo federal procura uma contraproposta à promessa do presidente nacional do PSB e pré-candidato do partido à Presidência da República, Eduardo Campos, de construir 4 milhões de novas casas populares em quatro anos. Segundo fontes do mercado, a meta do governo era inferior a esse número.

"A presidente ficou em uma sinuca de bico. Se aumenta a meta, terá de explicar de onde vão sair os recursos", disse a fonte do mercado que participa das discussões da nova etapa do programa de habitação popular.

Campos disse que conseguiria fazer 4 milhões de casas com redução dos subsídios dos financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A solução seria aumentar os juros nos empréstimos do banco de fomento - a Taxa de Longo Prazo (TJLP), atualmente em 5% ao ano. Ele também afirmou que o Bolsa Família e o Minha Casa, Minha Vida devem continuar em um provável governo dele, embora "aprimorados".

O pré-candidato Aécio Neves, do PSDB, também foi convidado para o evento em Goiânia, mas não compareceu.

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