Governo cancela leilão de energia nova para 2014

O Ministério de Minas e Energia anunciou nesta noite que decidiu cancelar o leilão de energia nova para fornecimento a partir de 2014 (o chamado leilão A-5). O leilão, que estava marcado inicialmente para o dia 18 e depois chegou a ser remarcado para o dia 21, agora não será mais realizado.

LEONARDO GOY, Agencia Estado

08 de dezembro de 2009 | 20h16

Segundo o ministério, o motivo é a frustração na obtenção de licença ambiental prévia para sete projetos de novas hidrelétricas que seriam oferecidos aos investidores na disputa. Apenas hoje, pouco de mais de 10 dias antes do leilão, é que foi liberada a licença da primeira hidrelétrica, Santo Antônio do Jari (Amapá/Pará). A usina tem potencial para 300 megawatts (MW) e representa um terço dos 905 MW dos sete projetos que seriam oferecidos.

Na prática, o movimento do Ministério de Minas e Energia representa mais um episódio no histórico de atritos entre as áreas energética e ambiental do governo. Se o leilão fosse mantido mesmo assim, o governo brasileiro corria o risco de, logo após o término da reunião sobre mudanças climáticas em Copenhague, fazer um leilão que acrescentaria ao sistema elétrico brasileiro mais energia produzida por usinas termelétricas que, além de mais caras, contribuem para o aquecimento global.

Dos 19 mil MW que estavam cadastrados para entrar na disputa, 15 mil MW eram de usinas movidas a gás natural e 2,7 mil MW de unidades que geram energia queimando carvão mineral. Por outro lado, as hidrelétricas estariam restritas aos 300 MW de Santo Antônio do Jari e 201 MW de pequenas centrais hidrelétricas.

Segundo o ministério, o fato de o leilão ser cancelado não afetará a segurança do abastecimento de energia em 2014. A justificativa é de que foi verificada, pelo governo, que a demanda adicional exigida para aquele ano seria pouco significativa e poderá ser atendida por um leilão a ser realizado em 2011 (o chamado leilão A-3).

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