Governo central tem 1º déficit primário para o mês em 10 anos

Despesas de Previdência, Banco Central e Tesouro superam receitas em R$ 120 milhões em maio, segundo dados

Renata Veríssimo e Adriana Fernandes, da Agência Estado,

25 de junho de 2009 | 14h59

O governo central formado pelo Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência Social registrou um déficit primário - receitas menos despesas, sem considerar o pagamento de juros da dívida - de R$ 120,2 milhões em maio - o primeiro para o mês desde 1999. O resultado refletindo um recuo das receitas federais e um aumento expressivo das despesas em meio à desaceleração econômica.

 

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Em maio, o superávit do Tesouro Nacional teve forte queda e ficou em R$ 2,643 bilhões, ante um resultado de R$ 13,191 bilhões registrado em abril. O déficit da Previdência Social em maio foi de R$ 2,739 bilhões e o do Banco Central, de R$ 23,6 milhões.

 

O secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, classificou o saldo negativo de maio como "praticamente neutro", mas afirmou que o governo central pode voltar a registrar déficits primários em outros meses do ano. Segundo ele, o resultado também está dentro da previsão do governo de registrar um superávit primário menor em 2009.

 

Augustin garantiu, no entanto, que a meta de superávit de R$ 28 bilhões para todo o setor público, até o final do segundo quadrimestre, será cumprida, assim como a meta prevista para o ano. Augustin lembrou que muitos desconfiaram do cumprimento da meta no primeiro quadrimestre e ela foi cumprida, "Na distribuição da meta, ao longo do ano, pode haver déficit em alguns meses, mas não compromete o cumprimento da meta", avaliou.

 

O secretário disse que o governo entende que esse quadro primário está adequado para a retomada da atividade econômica, após um cenário de crise. Ele lembrou que o momento exige que o Poder Público trabalhe de forma anticíclica, reduzindo tributos e aumentando os investimentos. "Não há nada de anormal. O conjunto de dados da economia, no mês que vem, já deve refletir estas ações do governo, do início do ano", disse Augustin. Para ele, o segundo semestre registrará um melhor crescimento da economia.

 

Acumulado

 

No acumulado de janeiro a maio, o Governo Central teve superávit de R$ 19,282 bilhões, o que corresponde a 1,63% do PIB. No mesmo período de 2008, o resultado foi positivo em R$ 53,457 bilhões, o que representava 4,68% do PIB.

 

As despesas do governo no acumulado de janeiro a maio cresceram 18,60% em relação ao mesmo período de 2008, enquanto que as receitas registram queda de 0,85% no mesmo período de comparação.

 

Segundo os dados divulgados nesta quinta-feira, 25, pelo Tesouro Nacional, os maiores aumentos nas despesas foram com gastos de pessoal (22,63%) e com custeio e capital (22,36%). Do lado das receitas, apenas a previdenciária registra um aumento de 12,12%, no acumulado dos cinco primeiros meses de 2009, enquanto que as receitas do Tesouro tem queda de 4,37%.

 

Os gastos com investimentos, segundo o Tesouro, totalizaram R$ 9,276 bilhões, de janeiro a maio, o que representa um aumento de 25% em relação ao mesmo período de 2008. As despesas com o projeto piloto de investimentos (PPI) foram de R$ 2,977 bilhões, 29% a mais que nos cinco primeiros meses de 2008.

 

Texto atualizado às 16h01

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