Rafael Neddermeyer/ Fotos Públicas
Rafael Neddermeyer/ Fotos Públicas

Governo central tem pior déficit primário para julho desde 1997

Déficit em julho foi de R$ 7,2 bilhões; contas do governo central reúnem o resultado do Tesouro Nacional, INSS e Banco Central

Célia Froufe e Adriana Fernandes

27 de agosto de 2015 | 14h08

BRASÍLIA - O quadro de deterioração das contas do governo federal aprofundou em julho, tornando ainda mais difícil o cumprimento da meta fiscal do ano. Após registrar pela primeira vez na história um déficit primário no primeiro semestre, as contas do governo central apresentaram um rombo de R$ 7,2 bilhões em julho. O déficit é o pior para o mês da série histórica, que tem início em 1997. As contas do governo central reúnem o resultado do Tesouro Nacional, INSS e Banco Central.

Com o déficit de julho, o saldo acumulado no ano ficou deficitário em R$ 9,0 bilhões, o correspondente a 0,32% do Produto Interno Bruto (PIB). No mesmo período do ano passado, acumulava superávit de R$ 15,1 bilhões. Em 12 meses, o Governo Central acumula um déficit de R$ 43,9 bilhões - o equivalente a 0,77% do PIB.

O secretário do Tesouro Nacional, Marcelo Saintive, comentou que o resultado negativo de julho foi "bastante expressivo". "Mas não significa que não estejamos fazendo ajuste fiscal. O ajuste fiscal continua sendo feito", garantiu. Segundo ele, apesar da expectativa cada vez mais crescente do mercado financeiro de que haverá um resultado fiscal negativo este ano, não é possível considerar já essa hipótese. "Não dá para considerar déficit no ano. Continuamos perseguindo a meta", afirmou. 

Saintive ressaltou que a receita vem caindo em termos reais (3,7%) e que parte desse movimento tem a ver com o nível de atividade econômica. "Mais uma vez esta performance não mudou", constatou.

O secretário disse ainda que há uma queda expressiva também no acumulado do ano em relação ao pagamento de dividendos. "São dividendos que ainda não recebemos e que não esperamos receber da Petrobrás. Isso já está na nossa programação financeira."

Com dificuldades para fazer um superávit primário maior neste ano, a equipe econômica reduziu a meta para o Governo Central em 2015 no mês passado, que caiu de R$ 55,2 bilhões para R$ 5,8 bilhões. Mas mesmo essa meta está ameaçada, o que poderá levar o governo a fechar o segundo ano consecutivo com as contas no vermelho. 

O resultado das receitas de julho representam uma queda  real de 4,7% em relação a julho de 2014. Já as despesas tiveram aumento real de 0,7%. No acumulado dos sete primeiros meses do ano, as receitas do governo central recuaram 4,7% e as despesas aumentaram 0,4%. 

O resultado do Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central de junho ficou dentro das expectativas do mercado financeiro. Levantamento da Agência Estado com 19 instituições mostrou que as previsões eram de zero a déficit de R$ 9 bilhões, com mediana de déficit de R$ 5,1 bilhões. 

No acumulado do ano até o mês passado, o superávit primário das contas do Tesouro Nacional é de R$ 30,7 bilhões. Já as contas da Previdência Social registraram déficit de R$ 5,7 bilhões em julho e de R$ 39,4 bilhões nos primeiros sete meses do ano. As contas do Banco Central, por sua vez, tiveram saldo positivo de R$ 174 milhões no mês passado, mas déficit de R$ 347 milhões de janeiro a julho.

Investimentos. Nos sete primeiros meses sob o comando da nova equipe econômica, os investimentos do governo registram uma queda real de 36,6%. De acordo com dados do Tesouro, os investimentos pagos somaram R$ 32,3 bilhões. Desse total, R$ 23,6 bilhões são restos a pagar, ou seja, despesas de anos anteriores que foram transferidas para 2015. Em julho, as despesas com investimentos foram de R$ 4,5 bilhões, com queda de 39,1% sobre o mesmo mês de 2014.

Os investimentos com o Programa de Aceleração Econômica (PAC) somaram R$ 3,3 bilhões em julho e R$ 23,9 bilhões nos sete primeiros meses do ano. As despesas com o PAC caíram 39,6% em julho e recuaram 36,5% no acumulado do ano.

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