Governo central tem superávit de apenas R$ 44 mi em setembro

Resultado fraco é explicado pelo crescimento do déficit da Previdência, causado pela antecipação do 13º

Fabio Graner e Adriana Fernandes, da Agência Estado,

24 de outubro de 2007 | 16h32

O governo central (Banco Central, Tesouro e Previdência) teve superávit primário - receitas menos despesas, sem considerar o pagamento de juros da dívida - de apenas R$ 44 milhões em setembro, ante economia de R$ 375,4 milhões no mesmo mês do ano passado, segundo dados divulgados nesta quarta-feira pelo Tesouro nacional. O resultado de setembro ficou acima da mediana das expectativas dos analistas consultados pela Agência Estado, de déficit de R$ 550 milhões. Segundo a nota do Tesouro, o resultado fraco é explicado pelo aumento do déficit da Previdência em função da antecipação do pagamento do décimo terceiro salário a aposentados e pensionistas. O saldo negativo do INSS no mês passado foi de R$ 9,157 bilhões, enquanto o Tesouro Nacional registrou superávit de R$ 9,291 bilhões. O Banco Central verificou déficit primário de R$ 89,9 milhões. De janeiro a setembro deste ano, o governo central acumula superávit de R$ 51,651 bilhões, o equivalente a 2,77% do PIB. O porcentual é menor do que os 2,84% de superávit do governo central do mesmo período de 2006. Apesar disso, o valor acumulado está bem próximo da meta prevista para todo o ano, que é de R$ 53 bilhões.  No período, as despesas do governo central cresceram 12,83%. Elas somaram R$ 316,391 bilhões de janeiro a setembro, ante R$ 280,418 bilhões de janeiro a setembro de 2006. As despesas que mais cresceram foram as de custeio e capital, em que estão os investimentos. A taxa de expansão desta despesa foi de 15,67%. As despesas com pessoal subiram 12,53% e as despesas com benefícios avançaram 11,19%. Já as receitas subiram 12,17%, portanto, menos do que as despesas. As receitas totais somaram, de janeiro a setembro deste ano, R$ 444,507 bilhões, ante R$ 396,270 bilhões, de setembro a janeiro de 2006.  PPI Até o mês passado, o governo federal já havia pago R$ 12,495 bilhões de despesas com investimentos. No mesmo período do ano passado, as despesas somavam R$ 9,735 bilhões. A maior parte das despesas pagas em 2007 - R$ 7,791 bilhões - é referente ao chamado "restos a pagar" - despesas do orçamento de 2006, transferidas para este ano. Os R$ 4,703 bilhões restantes são referentes às despesas com investimentos previstas no orçamento de 2007. Segundo os dados divulgados pelo Tesouro, a execução financeira dos projetos incluídos no Projeto Piloto de Investimentos (PPI) atingiu em setembro R$ 2,6 bilhões, contra R$ 1,7 bilhão em 2006. O valor ainda está distante dos R$ 11,3 bilhões de investimentos do PPI estabelecidos pelo governo para serem realizados em 2007. Até agosto, a meta prevista era de R$ 3 bilhões.

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