Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Superávit do governo central cai 50% no 1º quadrimestre de 2015

Contas do Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central acumularam superávit primário de R$ 14,6 bilhões de janeiro até abril; valor é o menor para o período desde 2001

Lorenna Rodrigues e Bernardo Caram, O Estado de S. Paulo

28 Maio 2015 | 15h39

As contas do governo central - que reúne do Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central - acumularam superávit primário de R$ 14,592 bilhões de janeiro a abril, o que representa uma queda de 50,9% se comparado com o esforço fiscal feito nos quatro primeiros meses de 2014. O valor corresponde a 0,78% do PIB e é o menor para o período desde 2001.

De acordo com dados divulgados nesta quinta-feira, 28, pelo Tesouro, o déficit acumulado em 12 meses pelo governo central é de R$ 35,4 bilhões (0,63% do PIB). O valor está ainda muito distante da meta do governo central prevista para 2015, de R$ 55,2 bilhões.

De janeiro a abril, as receitas somaram R$ 432,192, crescimento nominal de 3,3% e queda real de 3,3%. Já as despesas totalizaram R$ 89,111 bilhões, avanço real de 3,7% e nominal de 12,2%.

Mês de abril. Em abril, o governo registrou superávit primário de R$ 10,085 bilhões. É o pior resultado para o mês desde 2013, quando ficou em R$ 7,336 bilhões.

No mês passado, o Tesouro Nacional teve superávit de R$ 13,275 bilhões, valor 39,3% menor do que o registrado no mesmo período do ano passado. A Previdência Social registrou saldo negativo de R$ 3,111 bilhões (alta de 1,3%) e o Banco Central registrou déficit de R$ 78,4 milhões.   

Mesmo com a entrada em vigor de medidas como o aumento do PIS/Cofins sobre combustíveis, em abril, a receita total somou R$ 117,532 bilhões, queda real de 3,3% e alta nominal de 4,6%. Já as despesas subiram para R$ 89,111, alta real de 3,7% e nominal de 12,2%. 

O secretário do Tesouro Nacional, Marcelo Saintive, disse que o primário de abril mostra o caminho para alcançar a meta estabelecida para o superávit primário deste ano. "Estamos em um caminho de aumentar o esforço de arrecadação, mas também fazer o contingenciamento necessário", afirmou.

Ele ressaltou que, apesar do crescimento real das despesas em abril de 3,7%, o governo está fazendo um esforço grande para controlar os gastos. "Estamos reduzindo despesa de custeio, essa é nossa programação", afirmou.

Questionado se os dados ruins da economia e a arrecadação fraca obrigariam o governo a rever a meta, Saintive respondeu negativamente e disse que os parâmetros e expectativas de receitas e despesas são revistos a cada dois meses, com permissão da Lei de Responsabilidade Fiscal, para que esse objetivo seja atingido.

Investimentos. Os investimentos totais do governo federal despencaram 34,4% no primeiro quadrimestre. A queda é reflexo do cenário de ajuste fiscal do governo que afeta esse tipo de gasto. As despesas totais com investimentos somaram R$ 19,670 bilhões (valores já corrigidos pela inflação) nos quatro primeiros meses do ano. As despesas com os programas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) tiveram queda real de 38% de janeiro a abril, somando R$ 13,531 bilhões.

Em abril, os investimentos totais somaram R$ 4,225 - queda nominal de 38,9%, e baixa de 43,5% em valores corrigidos pela inflação. Já as despesas do PAC somaram R$ 2,869 bilhões, com queda nominal de 35,6% e real de 40,5% sobre o mesmo mês de 2014. 

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