Mark Schiefelbein | AP
Mark Schiefelbein | AP

Governo chinês diz que crescimento é a prioridade

Meta oficial para a economia é de uma alta de 6,5% a 7% este ano; para consultoria, foco no crescimento pode atrasar reformas estruturais

O Estado de S.Paulo

08 de março de 2016 | 07h17

PEQUIM - Líderes da China deixaram claro que enfatizam o crescimento em vez da reestruturação neste ano, mas sugeriram que tentam evitar o aumento da dívida ou as bolhas de ativos, no momento em que colocam muito dinheiro na economia. No fim de semana, o governo anunciou que a meta oficial de crescimento para 2016 é de 6,5% a 7%.

A meta foi anunciada no Congresso Nacional do Povo, junto com sutil reconhecimento de que alguns dos esforços para impedir a desaceleração econômica não tiveram o objetivo atingido, não conseguindo estimular a maioria dos setores produtivos. Em relatório, o premiê Li Keqiang prometeu cortes de impostos para deixar as empresas com mais dinheiro para investir. O país também especificou pela primeira vez sua meta de financiamento social, uma medida ampla de crédito que inclui empréstimos para bancos e outras instituições e é uma métrica para ajudar a determinar a política monetária.

O passivo das companhias financeiras representa 160% do Produto Interno Bruto (PIB), ante 98% em 2008, segundo a Standard & Poor’s. Nos EUA, o passivo é equivalente a 70% do PIB. Os empréstimos inadimplentes atingiram 1,67% do portfólio dos bancos no fim de 2015, segundo a Comissão Regulatória Bancária Chinesa, no maior patamar desde junho de 2009. Analistas acreditam que o dado dá menos peso ao problema que de fato tem. A Moody’s rebaixou a perspectiva do rating da China, bem como de 25 instituições financeiras e de 38 estatais.

O diretor da agência de planejamento da China, Xu Shaoshi, minimizou as preocupações da Moody’s com o crescente endividamento e com os temores de demissões em massa. “Todas as previsões de um pouso forçado irão definitivamente falhar”, disse. A China diz que precisa crescer pelo menos 6,5% até 2020 para dobrar a renda per capita ante os níveis de 2010.

Reformas. Para a consultoria Oxford Economics, a meta de crescimento do PIB continua a ser o principal objetivo das autoridades chinesas, o que pode atrasar as reformas estruturais necessárias para o país. Em relatório a clientes, ele disse que o número revela que autoridades continuam firmes em sua intenção de fazer dobrar o PIB per capita e a renda pessoal dos chineses de 2010 a 2020. Segundo a consultoria, diante da falta de motores naturais para o crescimento, isso exigirá grande esforço por parte da política macroeconômica.

Zhang Liqun, do Centro de Pesquisa do Desenvolvimento do Conselho Estatal, afirmou que a China pode atingir as metas para reestruturar seu modelo sem minar ou reformular sua economia. “O crescimento econômico e a reestruturação não são contraditórios.”

O plano chinês de reforma do setor estatal é vago, o que sugere que muitas companhias endividadas manterão acesso preferencial a mercados e ao financiamento barato. Delegados do setor privado presentes na reunião da China ficaram animados com o compromisso do país em reduzir impostos e taxas para empresas. “Nós só queremos ser tratados igualmente, junto com as empresas estatais”, disse Chen Zhilie, executivo da Evoc Intelligent Technology.

Muitos dos novos motores que Pequim identifica para fomentar o crescimento não foram testados na China. Li espera que 60% do crescimento nos próximos anos venha de avanços científicos e tecnológicos, uma forte mudança em uma economia onde gastos em ativos fixos, como fábricas e apartamentos, representam metade da produção econômica./DOW JONES NEWSWIRES

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