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Governo chinês não confirma participação em fundo europeu

China decidirá apoio ao fundo até o começo de dezembro; detalhes do plano foram apresentados ontem

CLÁUDIA TREVISAN , CORRESPONDENTE / PEQUIM, O Estado de S.Paulo

29 de outubro de 2011 | 03h08

A China não deverá tomar nenhuma decisão sobre sua eventual contribuição para a ampliação do Fundo Europeu de Estabilização Financeira (Feef) antes do fim de novembro ou começo de dezembro, afirmou ontem o vice-ministro das Finanças do país, Zhu Guangyao. "Nós temos que esperar os detalhes técnicos e realizar sérios estudos antes de decidir sobre o investimento", afirmou.

Os primeiros detalhes do pacote aprovado pelos líderes europeus foram apresentados ontem às autoridades chinesas por Klaus Regling, o diretor do Feef, que terá a missão de convencer investidores globais a comprarem bônus que serão emitidos pela entidade nos próximos meses.

Regling ressaltou que ainda não há nenhuma negociação concreta com Pequim e que sua intenção foi discutir com o potencial investidor o desenho que os novos títulos devem ter para serem bem recebidos pelo mercado. "Nós vamos conversar com grandes investidores nas próximas duas semanas para saber como estruturar esses instrumentos e ter certeza de que eles serão bem sucedidos. Seria inútil colocar esses papéis no mercado e nenhum investidor se interessar", disse o europeu em entrevista coletiva.

Criado em maio do ano passado com a missão de socorrer países europeus em dificuldade e recapitalizar bancos da região, o fundo terá sua capacidade de intervenção elevada dos atuais 440 bilhões para 1 trilhão.

É para essa ampliação que Regling busca apoio de investidores ao redor do mundo. Mas sua primeira parada foi a China, que com US$ 3,2 trilhões possui o maior volume de reservas internacionais do mundo. Só em 2010, o montante foi de US$ 350 bilhões. O segundo lugar no ranking é ocupado pelo Japão, com US$ 1,2 trilhão, para onde Regling irá depois de Pequim.

Segundo ele, a China e outros países asiáticos compraram 40% dos bônus emitidos pelo (Feef) neste ano. "A China é um bom e leal cliente dos bônus emitidos pelo Feef", afirmou Regling.

O europeu ressaltou que a China tem uma necessidade "particular" de investir seu superávit em conta corrente. "As reservas internacionais da China aumentam a cada mês e eles estão interessados em identificar oportunidades de investimentos atraentes, sólidas e seguras." Até agora, os chineses investiram em bônus do Feef e Regling espera que continuem a fazê-lo no futuro.

Mas as garantias de que terão retorno dos investimentos é a principal preocupação de Pequim. Em declarações publicadas ontem pelo Financial Times, o integrante do comitê de política monetária do Banco do Povo da China Li Daokui observou que qualquer participação chinesa no resgate europeu estaria condicionada com a contribuição de outros países e garantias de segurança das aplicações.

O representante europeu disse que não foi confrontado por qualquer demanda do lado chinês nas conversas que teve ontem no Ministério das Finanças e no Banco do Povo da China e ressaltou que os bônus emitidos pelo Feef tem a mais elevada nota concedida pelas agências de classificação de risco (AAA).

Entre os novos instrumentos que o fundo analisa está o oferecimento de garantia entre 15% e 20% para bônus emitidos por países da União Europeia. Caso eles deem calote nos investidores, o Feef garantiria o pagamento daquele porcentual.

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